[Valid RSS] [Valid RSS] [Valid RSS] Labirintos e Fascínios: Março 2013

29 de março de 2013

Se estiveres lá...



Se estiveres lá, eu estou aí! No começo das manhãs, no escurecer das tardes, no negrume das noites. Sou a sombra da tua sombra desmaiada na moldura do tempo que foge. Se estiveres além, estou aí! Fascinada e fascinante, na ânsia impura de uma eternidade guardada nos fumos esbatidos da paixão intensa que o silêncio não acordou. Se estiveres aqui, eu estou aí! Aqui. Estou aqui. Contigo, em todas as estações da tua vida. Acordando as memórias do fascínio que as vigílias aumentaram. Acendendo saudades tão imensas e profundas, ternas e solitárias como ondas de espumas rendilhadas que me beijam os pés, na praia da esperança. Se não estiveres só, eu continuo aí! Imaginando que, um dia, te lembrarás que mim.
Autora: Maria Elvira Bento
 
 

19 de março de 2013

Éramos felizes e não sabíamos!...


Na minha inarredável crença no Carpe Diem horaciano e na sabedoria que reside na atitude de valorizarmos o tempo presente, evitando saudosismos desnecessários ou românticos devaneios acerca de um futuro insondável, habituei-me a não me prender a recordações, a não cultivar saudades que me deixariam com aquele incômodo sentimento de perda a escurecer-me por dentro. Todavia, hoje, tive uma recaída e fiz uma longa viagem de volta aos meus outroras! Peço desculpas a quem não aprecia textos longos e talvez pobre de interesse, pois que fala de uma vidinha um tanto sem brilho, aos olhos dos outros. Mas que, para mim, constitui um tesouro de lembranças que ilumina o meu presente e aquece-me o coração.
Até algum tempo atrás, quando observava a vida das moças nos dias atuais, a liberdade ilimitada que têm, a forma como se comportam, como pensam e falam, vinham-me à mente algumas lembranças da época da minha juventude. A comparação era inevitável, pois era tudo tão espantosamente diferente! Mas não sei ao certo se era melhor ou pior. Na época, achávamos natural, não tínhamos noção de que poderia ser diferente.
Hoje, já tenho o distanciamento necessário para estabelecer comparações e perceber o quanto foi reprimida a vidinha que nos permitiu viver a sociedade severa dos anos cinqüenta. Tanto o meio social quanto os nossos pais eram repressores e vigilantes, cerceavam a nossa liberdade e nos impunham uma série de limites que não ousávamos transgredir. Namorava-se na calçada de frente a casa ou na varanda, sair sozinha com o namorado, nem pensar! Beijar na boca... só se fosse beijo roubado, escapando aos vigilantes pares de olhos que não nos perdiam de vista. Casávamos virgens, depois de um longo namoro e noivado (ainda era costume o rapaz pedir a mão da moça em casamento ao seu pai).
Mas, haviam coisas maravilhosas e inesquecíveis, como as serenatas que me acordavam na madrugada com românticas canções e acordes de violão. Não me casei com o dono da voz. Não que nos faltassem amor e vontade! Mas esta já é outra história de interferência familiar bem típica da época... melhor esquecer!
Quando explodiu o Rock in roll, e Elvis Presley tornou-se moda, mania e paixão, veio junto a interdição: moça decente não podia dançar o frenético e obsceno ritmo norte-americano. Seria um escândalo! A garota ficaria “falada”! Quem iria querê-la para esposa?! Foi um ai, Jesus! Fãs incondicionais de Elvis, eu e meu irmão não resistimos à tentação e demos uma fugidinha até um clubinho que havia perto da nossa casa, para balançar os esqueletos naquela consumição, com uma turma do colégio. Nem gosto de lembrar o pandemônio que fez a minha mãe, quando retornamos. Só comigo, é claro! Meu irmão “era homem”, podia tudo!

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12 de março de 2013

Volúpias e silêncios...



Há tardes que descem com volúpias e silêncios a cheirar a rosas e a saudades. Há tardes de sonhos ardentes, iluminadas de luz mágica e ânsias de agarrar o tempo desmaiado –“Se tu viesses ver-me hoje à tardinha/A essa hora dos mágicos cansaços/Quando a noite de manso se avizinha/E me prendesses toda nos teus braços” (Florbela Espanca). 

Há tardes de encantos e de anseios semeados de fantasias deslumbradas. Tardes diferentes, nossas, vividas em ilusões.Há tardes assim: envolventes, com vozes distantes e murmúrios de vento. São tardes de confidências e ansiedades que nos provocam e agitam como se as flechas da memória nos levassem livres nas asas dos pensamentos. E o que está longe fica perto, o que é impossível concretiza-se, o que é ilógico torna-se compreensível. Tudo se transforma como se, por passes de magia, o cair lento da tarde luminosa estendesse as mãos guiando pelos labirintos do querer, na procura do que anima, preocupa ou estimula. 

Sinta as vozes, os murmúrios dessas tardes que falam só para si e relembram lapsos do passado Não que só por si ele seja o único tónus do futuro. Não corra esse risco, não fique parada no tempo mas aprenda-lhe a escutar a voz. A saudade quando entra com força no bater do coração é porque alguma mensagem importante precisa de ser ouvida ou relembrada. “Se tu viesses ver-me hoje à tardinha 

Autora: Maria Elvira Bento ( blog Brumas de Sintra)