[Valid RSS] [Valid RSS] [Valid RSS] Labirintos e Fascínios: 2013

10 de dezembro de 2013

O tempo de mudanças


Começa cada dia por dizer a ti próprio: hoje vou deparar com a intromissão, a ingratidão, a insolência, a deslealdade, a má-vontade e o egoísmo - todos devidos à ignorância por parte do ofensor sobre o que é o bem e o mal.
Mas, pela minha parte, já há muito percebi a natureza do bem e a sua nobreza, a natureza do mal e a sua mesquinhez, e também a natureza do próprio culpado, que é meu irmão (não no sentido físico, mas como meu semelhante, igualmente dotado de razão e de uma parcela do divino); portanto nenhuma destas coisas me ofende, porque ninguém pode envolver-me naquilo que é degradante, senão eu mesmo.
Nunca se protele o ato de questionamento quando se é jovem, nem canse o fazê-lo quando se é velho, pois que ninguém é jamais pouco maduro nem demasiado maduro para conquistar a saúde da alma. E quem diz que a hora de filosofar ainda não chegou ou já passou assemelha-se ao que diz que ainda não chegou ou já passou a hora de ser feliz.
Somos seres sedentos pelo crescimento, em constante e intermináveis mutações. Deixemo-nos vir, então, o tempo de mudanças...

Autora: Jéssica C.



3 de dezembro de 2013

A razão



 A razão por que a despedida nos dói tanto 
é que nossas almas estão ligadas.
Talvez sempre tenham sido e sempre serão.
Talvez nós tenhamos vivido mil vidas antes desta 
e em cada uma delas nós nos encontramos.
E talvez a cada vez tenhamos sido forçados 
a nos separar pelos mesmos motivos.
Isso significa que este adeus 
é ao mesmo tempo um adeus 
pelos últimos dez mil anos e 
um prelúdio do que virá. 


(Autor Desconhecido)


12 de novembro de 2013

Convivendo com diversos conflitos


Viver em conflito pode lhe parecer viver em meio a tempestade.. Para alguns essa situação pode levá-lo a sentir-se sem harmonia em relação a tudo o que você deseja. Afinal se até as estrelas se chocam como já escreveu Clarles Chaplin, o que está de tão errado em se ver em conflito muitas das vezes. A vivência lhe proporciona aprender a controlar as tantas variáveis relacionadas ao seu modo de vida.
Compreender que os conflitos fazem parte é aceitar as mudanças necessárias em sua rota. O conflito, ao mesmo tempo que é desconforto, por outro é oportunidade de expandir, ir além do que está se alcançando. O importante é conduzi-lo. E isto requer tranquilidade.
Vejamos portanto que, ao perceber que há um conflito de interesses, e mesmo a frustração destes, você possa dar-se conta de questionar em que está sendo contrariado. Trata-se de algo ou alguém que está inviabilizando algo que você queira? Ou é o caso de você estar sendo o próprio impedimento?
As dificuldades ocasionadas pelo modo de vida adaptado às suas circunstâncias envolve desvendar novas saídas e alternativas diferentes para aquelas situações já conhecidas. É o caso de se propor a INOVAR.
O conflito lhe aponta que algo precisa ser modificado e que suas tentativas de resolução falharam, por isso ele se tornou presente. Acabam portanto por buscar um novo equilíbrio.
Não se trata em especial de encalhar, cair no atoleiro. É o momento de viver a transição para algo diferente do estado conflituoso. Nada é perene quando se trata da vivência pessoal, seja em relação a carreira, à família, ao casamento ou namoro; enfim a causa maior do envolvimento das pessoas em relação a própria vida está em constituir um funcionamento tal, do qual a mobilização seja constante, pois a estagnação é sintoma de falta de ação.
Pense, reflita e se proponha a agir com coerência pessoal e estabeleça uma organização que lhe dê as coordenadas de manter o equilíbrio.


Autora: Luiza Ricotta,  psicóloga e profª universitária. Trabalha com Desenvolvimento Pessoal e Profissional. Autora de vários livros sobre autoconhecimento.


1 de outubro de 2013

Leveza é a palavra de ordem!



Leveza é a palavra de ordem em qualquer circunstância da vida. Naturalidade, autenticidade, segurança e principalmente, certeza de estar aonde deveria e desejaria estar. A chave para isto? Paciência, autoconhecimento, trabalho neste sentido e cuidado. E no amor, a regra também é válida? Como em tudo na vida, no amor e no sexo não é diferente. Cultivar é o segredo. 
Conhecer-se e conhecer ao outro, somam-se a ele. Saber exatamente quem é aonde e com quem deseja estar. Regra tão simples e tão desprezada por nós. Porque é que temos essa estranha mania de acharmos que somos deuses ou bruxos, que nada nos atingirá e que em um passe de mágica tudo se resolverá e ficará rosa e azul? 
Nada mais gostoso que estar nos braços de alguém que sabe exatamente onde queremos chegar. Nada melhor que a certeza de estar sinalizando de uma maneira tranqüila e leve o que gostamos de sentir. Nada melhor, quando tudo isto é transmitido através de olhares e sentidos captados pelo profundo entendimento de um casal que se ama. 
E tem tempo para conquistar isso? Tem. Tem o tempo de cada um e tranquilidade é o que se consegue como resultado, muito ao contrário do que pensam hoje em dia as pessoas que se entregam umas as outras fortuitamente, sem ao menos uma conversa que as identifique em algum ponto. 
É dispensável o tempo determinado entre estágios que medem o grau do relacionamento e ninguém precisa ficar o tempo todo pensando em casamento. Entretanto, algum tempo, palavras, olhares e toques, são necessários para um entendimento. É importante observar se, obedecendo-se a um instinto não estaria abrindo mão de um mínimo de sinalização contra um encontro nocivo e devassador que abalaria a estrutura de corpos e almas em vez de alimentá-los. Algum tempo há de ser dedicado. 
Amar desta maneira não tem nada a ver em firmar um compromisso com alguém; tem a ver exatamente com o contrário. Tem a ver com a leveza do descompromisso e com o comprometimento de ser e de fazer o outro feliz, exatamente ali, naquele momento. E dessa maneira ir construindo uma rede de sintonia fina e apurada a cada encontro. Comprometimento em se doar além de tudo, e além de tudo, receber do outro com gratidão, tudo que vier para fazer feliz. 
Observar, ponderar, cativar a cada dia, a cada encontro. Anotar no coração as sensações, as expressões e todo tipo de manifestação de satisfação ou de insatisfação do seu parceiro e ao ir com ele, ao encontro da alegria de estarem vivos e juntos, mais uma vez, levar consigo, uma cesta de cuidados. 
As impressões não devem buscar a conquista que amarra em uma representação teatral encenando as artimanhas do amor, porém fazer crescer continuamente, o desejo de serem livres e completamente atados um ao outro pelo prazer de estarem juntos e somente isto. As intenções não devem transpor os limites da real felicidade, e nem precisa ser assim, pois é assim que perdemos a melhor parte, justamente quando desfocamos o agora. 
Um desprendimento descomunal, somado a um cuidado visceral acompanhados de uma destreza desmedida em conhecer-se e conhecer o outro, cultivando o amor que por qualquer motivo ou circunstância os una, pode fazer de um casal, o casal mais feliz do mundo. E não tem título ou rótulo que identifique aqueles que os são. Somente eles e neles se pode reconhecer o estado de felicidade em que se encontram. Não tem condição que permita a um casal, saber mais do grau de sua verdadeira união, que o encontro de seus corpos, a sós e em plenitude. Somente a intimidade traçada por eles pode fazer com que transpareçam, aos olhos do mundo, um casal de verdade. 
O que esta fora deles é teatro e de área em área, o fim, está com seus dias contados.
“Não busco aventura, mas alguém que enxergue a vida com todas as cores que ela possui e que queira compartilhar comigo o maior de todos os tesouros, o Amor.” – De um amigo. 
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Autora: Jussara Hadadd,  filósofa e terapeuta sexual feminina


20 de setembro de 2013

Um segredo de sobrevivência

Certa vez li no blog “Comentando o Comentado” um enunciado que me chamou a atenção justamente porque eu estava atravessando um momento delicado e difícil que me deixava com um humor alteradíssimo.  Aquela advertência acerca da melhor forma de sobreviver à tempestade funcionou maravilhosamente bem. Conservei o humor e, sem esbravejar, sobrevivi. Hoje, veio-me a idéia de divulgar e comentar o milagroso enunciado. Ei-lo:

A vida é complicada e cheia de contratempos. Conservar o humor é um segredo de sobrevivência.” 

Conservar o humor não apenas é fundamental para a nossa sobrevivência como faz bem à nossa saúde e às pessoas que convivem conosco. Todavia, eu acrescentaria um outro elemento tão essencial quanto o humor para a sobrevivência e manutenção do nosso equilíbrio emocional e da nossa harmonia interior: saber silenciar nos momentos certos.
Sim, porque o silêncio é uma força imensurável, é uma arma poderosa capaz de levar ao desespero os que, por carência deste fundamental humor, do qual fala o enunciado, fazem da agressividade a válvula de escape e a única linguagem para expressarem as suas frustrações mais dolorosas e mais profundas, quiçá inconscientes e, em alguns casos, com raízes bem fincadas no terreno movediço da inveja, do despeito e de outros sentimentos torturantes para quem os sente.
Se os encaramos munidas com o bom humor e com a prodigiosa arte de silenciar, iremos recolhendo o que nos dizem e fazem de positivo os bem humorados e de bem com a vida, limitando-nos a sorrir, complacentemente, para o que os mal humorados, insatisfeitos com a pobreza das próprias conquistas nos dizem e fazem de negativo e de execrável.
Há muito aprendi que, se permanecermos em silêncio, frente ao mal que intentam contra nós, mostramos que estamos indiferentes, sem tempo para debates fúteis.
Se for uma discussão que deixou o terreno da razão, quem silencia mostra que já venceu, mesmo quando o outro lado insiste em gritar, em espernear.

Se isto acontecer, mesmo que o outro do grito passe ao berro, não se altere, não perca seu bom humor, apenas OLHE,
                   SORRIA, 
                            SILENCIE E
                                          VÁ EM FRENTE.




21 de agosto de 2013

Para o resto das nossas vidas


Existem coisas pequenas e grandes, coisas que levaremos para o resto de nossas vidas. Talvez sejam poucas, quem sabe sejam muitas, depende de cada um, depende da vida que cada um de nós levou.
Levaremos lembranças, coisas que sempre serão inesquecíveis para nós, coisas que nos marcaram, que mexeram com a nossa existência em algum instante.
Provavelmente iremos pela a vida a fora colecionando essas coisas, colocando em ordem de grandeza cada detalhe que nos foi importante, cada momento que interferiu nos nossos dias, que deixou marcas, cada instante que foi cravado no nosso peito como uma tatuagem.
Marcas, isso... serão marcas, umas mais profundas, outras superficiais porém com algum significado também. Serão detalhes que guardaremos dentro de nós e que se contarmos para terceiros talvez não tenha a menor importância pois só nós saberemos o quanto foi incrível vivê-los.
Poderá ser uma música, quem sabe um livro, talvez uma poesia, uma carta, um e-mail, uma viagem, uma frase que alguém tenha nos dito num momento certo.
Poderá ser um raiar de sol, um buquê de flores que se recebeu, um cartão de natal, uma palavra amiga num momento preciso. Talvez venha a ser um sentimento que foi abandonado, uma decepção, a perda de alguém querido, um certo encontro casual, um desencontro proposital.
Quem sabe uma amizade incomparável, um sonho que foi alcançado após muita luta, um que deixou de existir por puro fracasso. Pode ser simplesmente um instante, um olhar, um sorriso, um perfume, um beijo.
Para o resto de nossas vidas levaremos pessoas guardadas dentro de nós. Umas porque nos dedicaram um carinho enorme, outras porque foram o objeto do nosso amor, ainda outras por terem nos magoado profundamente, quem sabe haverão algumas que deixarão marcas profundas por terem sido tão rápidas em nossas vidas e terem conseguido ainda assim plantar dentro de nós tanta coisa boa.
Lá na frente é que poderemos realmente saber a qualidade de vida que tivemos, a quantidade de marcas que conseguimos carregar conosco e a riqueza que cada uma delas guardou dentro de si.
Bem, lá na frente é que poderemos avaliar do que exatamente foi feita a nossa vida, se de amor ou de rancor, se de alegrias ou tristezas, se de vitórias ou derrotas, se de ilusões ou realidades.
Pensem sempre que hoje é só o começo de tudo, que se houver algo errado ainda está em tempo de ser mudado e que o resto de nossas vidas de certa forma ainda está em nossas mãos.

(Silvana Duboc)



A cor do silêncio


Sempre que olhar para alguma coisa azul, para o azul do céu, para o azul do rio, sente-se silenciosamente e olhe dentro desse azul; você sentirá uma profunda sintonia com ele.

Um grande silêncio descerá sobre você sempre que meditar sobre a cor azul.

O azul é uma das cores mais espirituais porque é a cor do silêncio, da quietude. É a cor da tranquilidade, do repouso, do relaxamento.

Assim, sempre que você estiver realmente relaxado, de repente sentirá interiormente uma luminosidade azulada. E se puder sentir uma luminosidade azulada, sentir-se-á inteiramente relaxado. Isso funciona dos dois jeitos.

Osho, em "O Livro Orange"

Imagem por mrhayata


1 de julho de 2013

Seja apenas quem você é...

Seja apenas quem você é e não dê a mínima para o mundo.

Então você sentirá um imenso sossego e uma profunda paz no coração. Isso é o que os zen-budistas chamam de "face original" — sossegada, sem tensão, sem pretensão, sem hipocrisia, sem as assim chamadas disciplinas acerca de como deve se comportar.

E, lembre-se, a face original é uma belíssima expressão poética, mas não significa que você terá um rosto diferente. Essa mesma face que você tem se livrará de toda tensão, ficará descontraída, não julgará ninguém nem coisa alguma, não achará que ninguém é inferior.

Essa mesma face, sob esses novos valores, será sua face original.

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Osho, em "Coragem — O Prazer de Viver Perigosamente"


5 de junho de 2013

A Lealdade


"Tenho pensado muito no valor da lealdade, um princípio elementar incrustado na minha personalidade, por obra de meus pais que a moldaram assim. Dou lealdade e cobro lealdade e não acredito na firmeza de nenhum relacionamento, de qualquer natureza, conjugal, sentimental, amoroso ou profissional, sem lealdade.
Se não há lealdade entre as pessoas, não há sinceridade e o relacionamento se assenta em castelo de areia. Falta solidez, falta franqueza, falta o cruzar de olhares que não piscam, nem se desviam, porque nada temem. Falta a pureza de alma, o coração aberto, a consciência tranquila.
Quando alguém não é leal em um relacionamento, tudo é irreal, falso. A alma não se expõem, o coração não se abre, a consciência não se tranquiliza e tudo o mais não passa de um mundo de mentiras, com valores falsos que induzem ao erro.
A deslealdade é perniciosa, destrutiva, repugnante e só a pratica quem não conhece o valor do outro lado, a importância da sinceridade, da verdade, desses sentimentos fortes que estabelecem relações duradouras, que são positivas, que são para o alto e não baixo, que constroem e não destroem, que fazem o bem e não o mal.
Deslealdade é fingimento, é dissimulação, é o cultivo de valores menores, é negar a quem a exerce o direito de viver em paz, pois, não creio que conheça a paz, quem mente, quem esconde, quem omite, quem engana, já que todos esses factores são negativos, destrutivos e induzem a erros a vítima da deslealdade.
O homem desleal só está preocupado consigo mesmo, quer tirar proveito ou desfrutar de alguma vantagem, ou ainda se poupar de qualquer envolvimento em situações que a verdade produz. É cômodo alhear-se, mentir, ocultar, mas é bom? Não creio que seja bom nem para quem assim age.
Só a verdade, ainda que dura e cruel, constrói, e nós temos o dever de praticá-la, custe o que custar, para o bem do nosso próximo e também para nós mesmos. Ninguém gosta de ser salvo de deslealdade. Logo, uma viagem ao nosso interior vai mostrar que não devemos oferecer aos outros o que não queremos que nos ofereçam.

Autora:  Roxy - janeiro 20, 2006

10 de maio de 2013

Plenitude


Na plenitude da impassível madrugada
ouço a mim mesma nos ecos do meu silêncio
que invadem o espaço da minha lucidez.
Sufoco o grito da inquieta memória
afasto as sombras do meu desassossego
quebro as amarras que me prendem a ti.
Ressurjo inteira, renascida e renovada
na intensa luminosidade do meu ser.
Recriada, regresso ao orvalho da madrugada
busco a frescura de uma verdade translúcida.
Impassível, desfaço a distância dos anos
abraço sem receios o outrora sem tempo
penetro resoluta nessa longínqua harmonia
adentro a solene perfeição deste silêncio..

(Zenóbia Collares Moreira Cunha)

30 de abril de 2013

Rabiscos aleatórios


A autocrítica e a severidade para consigo mesmo funcionam como uma ferramenta para extrairmos de nós mesmos todo o potencial possível. A tensão interna precisa estar sempre no limiar entre a potência extrema e a autodestruição. Os espíritos apenas crescem sob tensão, quando são forçados a isso – fazer de seu próprio espírito um campo de batalha é o caminho para o desenvolvimento de sua potência plena.
De certo não se trata do modo mais confortável de se viver, mas desde quando paz e conforto significam felicidade?
Cada um tem sua felicidade onde a encontra, e isso, para alguns, significa uma constante guerra interna na busca da auto-superação. A tensão, a inquietação, a angústia, o sofrimento são trampolins para nosso crescimento interior, são grandes molas propulsoras da potência humana:

"increscunt animi, virescit volnere virtus"
(Os espíritos crescem e a virtude floresce, à medida que são feridos).

André Cancian



18 de abril de 2013

Fizeram a gente acreditar...



Hoje é o momento ideal para falar de sacanagem. Mas nada de ménage à trois, sexo selvagem e práticas perversas, sinto muito. Pretendo, sim, é falar das sacanagens que fizeram com a gente.
Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor para valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não nos contaram que amor não é acionado nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade.
Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.
Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada “dois em um”, duas pessoas  pensando igual, agindo igual, que isso era que funcionava.
Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório
Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto.
Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.
Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade.
Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.
Ah, nem contaram que ninguém vai contar. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz se apaixonar por alguém.

Martha Medeiros


16 de abril de 2013

Evite a filosofia e mergulhe na poesia...



Lembre-se sempre que, se o mistério de sua vida continuar a se aprofundar,
então você estará na trilha certa.
Se começa sentindo que não há nenhum mistério na vida e você se torna instruído,
está no caminho errado.
Evite a filosofia e dê um grande mergulho na poesia. Seja tanto quanto possível um poeta
 - porque o místico é o crescimento do poeta.
O poeta está a caminho de ser um místico, e só um poeta pode ser um místico.

(Osho, em "A Revolução: Conversas Sobre Kabir")


Aprendi que meninas boazinhas colecionavam elogios e presentes.
Eu colecionava bolinhas de gude e cicatrizes.
Hoje, enquanto algumas esperam viver um conto de fadas
Eu já beijei príncipe que virou sapo, construí castelos para morar sozinha,
despedi a fada madrinha, escolhi viver com o "lobo",
ouvi várias histórias mas resolvi escrever a minha.
(Renata Fagundes )

Há três métodos para ganhar sabedoria: primeiro, por reflexão, que é o mais nobre; segundo, por imitação, que é o mais fácil; e terceiro, por experiência, que é o mais amargo.
(Confúcio)

 

29 de março de 2013

Se estiveres lá...



Se estiveres lá, eu estou aí! No começo das manhãs, no escurecer das tardes, no negrume das noites. Sou a sombra da tua sombra desmaiada na moldura do tempo que foge. Se estiveres além, estou aí! Fascinada e fascinante, na ânsia impura de uma eternidade guardada nos fumos esbatidos da paixão intensa que o silêncio não acordou. Se estiveres aqui, eu estou aí! Aqui. Estou aqui. Contigo, em todas as estações da tua vida. Acordando as memórias do fascínio que as vigílias aumentaram. Acendendo saudades tão imensas e profundas, ternas e solitárias como ondas de espumas rendilhadas que me beijam os pés, na praia da esperança. Se não estiveres só, eu continuo aí! Imaginando que, um dia, te lembrarás que mim.
Autora: Maria Elvira Bento
 
 

19 de março de 2013

Éramos felizes e não sabíamos!...


Na minha inarredável crença no Carpe Diem horaciano e na sabedoria que reside na atitude de valorizarmos o tempo presente, evitando saudosismos desnecessários ou românticos devaneios acerca de um futuro insondável, habituei-me a não me prender a recordações, a não cultivar saudades que me deixariam com aquele incômodo sentimento de perda a escurecer-me por dentro. Todavia, hoje, tive uma recaída e fiz uma longa viagem de volta aos meus outroras! Peço desculpas a quem não aprecia textos longos e talvez pobre de interesse, pois que fala de uma vidinha um tanto sem brilho, aos olhos dos outros. Mas que, para mim, constitui um tesouro de lembranças que ilumina o meu presente e aquece-me o coração.
Até algum tempo atrás, quando observava a vida das moças nos dias atuais, a liberdade ilimitada que têm, a forma como se comportam, como pensam e falam, vinham-me à mente algumas lembranças da época da minha juventude. A comparação era inevitável, pois era tudo tão espantosamente diferente! Mas não sei ao certo se era melhor ou pior. Na época, achávamos natural, não tínhamos noção de que poderia ser diferente.
Hoje, já tenho o distanciamento necessário para estabelecer comparações e perceber o quanto foi reprimida a vidinha que nos permitiu viver a sociedade severa dos anos cinqüenta. Tanto o meio social quanto os nossos pais eram repressores e vigilantes, cerceavam a nossa liberdade e nos impunham uma série de limites que não ousávamos transgredir. Namorava-se na calçada de frente a casa ou na varanda, sair sozinha com o namorado, nem pensar! Beijar na boca... só se fosse beijo roubado, escapando aos vigilantes pares de olhos que não nos perdiam de vista. Casávamos virgens, depois de um longo namoro e noivado (ainda era costume o rapaz pedir a mão da moça em casamento ao seu pai).
Mas, haviam coisas maravilhosas e inesquecíveis, como as serenatas que me acordavam na madrugada com românticas canções e acordes de violão. Não me casei com o dono da voz. Não que nos faltassem amor e vontade! Mas esta já é outra história de interferência familiar bem típica da época... melhor esquecer!
Quando explodiu o Rock in roll, e Elvis Presley tornou-se moda, mania e paixão, veio junto a interdição: moça decente não podia dançar o frenético e obsceno ritmo norte-americano. Seria um escândalo! A garota ficaria “falada”! Quem iria querê-la para esposa?! Foi um ai, Jesus! Fãs incondicionais de Elvis, eu e meu irmão não resistimos à tentação e demos uma fugidinha até um clubinho que havia perto da nossa casa, para balançar os esqueletos naquela consumição, com uma turma do colégio. Nem gosto de lembrar o pandemônio que fez a minha mãe, quando retornamos. Só comigo, é claro! Meu irmão “era homem”, podia tudo!

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12 de março de 2013

Volúpias e silêncios...



Há tardes que descem com volúpias e silêncios a cheirar a rosas e a saudades. Há tardes de sonhos ardentes, iluminadas de luz mágica e ânsias de agarrar o tempo desmaiado –“Se tu viesses ver-me hoje à tardinha/A essa hora dos mágicos cansaços/Quando a noite de manso se avizinha/E me prendesses toda nos teus braços” (Florbela Espanca). 

Há tardes de encantos e de anseios semeados de fantasias deslumbradas. Tardes diferentes, nossas, vividas em ilusões.Há tardes assim: envolventes, com vozes distantes e murmúrios de vento. São tardes de confidências e ansiedades que nos provocam e agitam como se as flechas da memória nos levassem livres nas asas dos pensamentos. E o que está longe fica perto, o que é impossível concretiza-se, o que é ilógico torna-se compreensível. Tudo se transforma como se, por passes de magia, o cair lento da tarde luminosa estendesse as mãos guiando pelos labirintos do querer, na procura do que anima, preocupa ou estimula. 

Sinta as vozes, os murmúrios dessas tardes que falam só para si e relembram lapsos do passado Não que só por si ele seja o único tónus do futuro. Não corra esse risco, não fique parada no tempo mas aprenda-lhe a escutar a voz. A saudade quando entra com força no bater do coração é porque alguma mensagem importante precisa de ser ouvida ou relembrada. “Se tu viesses ver-me hoje à tardinha 

Autora: Maria Elvira Bento ( blog Brumas de Sintra)

18 de fevereiro de 2013

Recomeçar

 


Não importa onde você parou, em que momento da vida você cansou, o que importa é que sempre é possível e necessário "recomeçar".

Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo, renovar as esperanças na vida é o mais importante, acreditar em você de novo.

Sofreu muito nesse periodo? Foi aprendizado.

Chorou muito? Foi limpeza da alma.

Ficou com raiva das pessoas? Foi para perdoá-las um dia.

Sentiu-se só por diversas vezes? É porque fechou a porta até para os anjos.

Acreditou que tudo estava perdido? Era o início da sua melhora.

Pois agora é hora de reiniciar! De pensar na luz, de encontrar prazer nas coisas simples de novo.

 Nunca é tarde para recomeçar.

 

29 de janeiro de 2013

Invoquei as forças do Universo. Senti-me poderosa e livre.


À esquina da tarde, quando a luz rósea do Sol se preparava para abraçar o mar, subi a uma rocha solitária e majestosa e olhei pausadamente o horizonte. Uni o polegar e o indicador, virados para cima, arqueei o corpo e invoquei as forças do Universo. Sentia-me poderosa e livre, prestes a levitar.
O tempo sentia-se suspenso. Parado. Nem o vento respirava. A serenidade parecia envolver o Mundo naquele começo de noite mágico, estonteante de encanto, soberbo de magia. Electrizante e iluminador. Do céu caíam partículas cintilantes, poeira de estrelas, que rapidamente cobriram a rocha, deixando-a como um trono cravado num invulgar rochedo.
Depois, o céu abriu-se num tom púrpura, cintilando entre o laranja e o verde-esmeralda. Foi um estonteante festival cósmico envolto em sons harmoniosos com vozes angelicais e acordes magníficos. O desejo de absorver tudo o que via e o querer que algo me fosse revelado, agitava-me. Baixei os braços com as palmas das mãos viradas para cima, esperei por brisas renascidas e desejei que uma chuva macia me envolvesse em âmbares e cristais e me fizesse sentir entre o sonho e a realidade.
Fiquei, como diz a lenda védica, com a leveza da folha, a graça da corça, a alegria do Sol, as lágrimas do orvalho, a inconstância do vento, a timidez da lebre, a dureza do diamante, a crueldade do tigre, a doçura do mel, o calor do fogo, o frio do gelo, o perfume das rosas.
Rodeada de luares, energias e exércitos de átomos, vindos do agora e dos confins do tempo, inspirei as vibrações do Universo e entrei em mundos poderosos e secretos, abertos por uma exclamação mística, dita sete vezes seguida com a voz mais poderosa: a voz do pensamento.
Luminosa e leve, tal como Fernão Gaivota (que vive em cada um de nós) olho agora as minhas asas alvas, adquiridas no Rochedo da Transformação e, então, tal como diz Gaivota, quebro as correntes do pensamento e deslizo sem pudor neste voo da noite.
Senti-me especial e divina. Fernão Capelo lembrou-me (uma vez mais) que não há limites. Lembrou-me a necessidade de superar as nossas fragilidades, medos e lançarmo-nos nos voos da descoberta e da realização. Ao despedir-me do Gaivota, que se preparava para voar dois mil e quatrocentos metros e aterrar em voo picado, ainda me gritou: “não te esqueças nunca de que a verdadeira Lei é aquela que conduz à Liberdade”

(Maria Elvira Bento)


18 de janeiro de 2013

Sorria...


Sorria, mas não se esconda atrás deste sorriso.
Mostre aquilo que você é, sem medo.
Existem pessoas que sonham.
Viva. Tente. Felicidade é o resultado desta tentativa.
Ame acima de tudo. Ame a tudo e a todos.
Não faça dos defeitos uma distância e, sim uma aproximação.
Aceite. A vida, as pessoas.
Faça delas a sua razão de viver.
Entenda os que pensam diferentemente de você.
Não os reprove.
Olhe à sua volta, quantos amigos...
Você já tornou alguém feliz?
Ou fez alguém sofrer com o seu egoísmo?
Não corra...
 Para que tanta pressa?
Corra apenas para dentro de você.
Sonhe, mas não transforme esse sonho em fuga.
Acredite! Espere!
Sempre deve haver uma esperança.
Sempre brilhará uma estrela.
 Chore! Lute! Faça aquilo que você gosta.
Sinta o que há dentro de você.
Ouça... Escute o que as pessoas têm a lhe dizer.
É importante. Faça dos obstáculos degraus para aquilo
que você acha supremo.
Mas não esqueça daqueles que não conseguiram subir
a escada da vida.
Descubra aquilo de bom dentro de você.
Procure acima de tudo ser gente. Eu também vou tentar.

(Autor desconhecido)

Relembranças de mim outrora...



Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite. Ninguém avisava nada, o costume era chegar de pára-quedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
– Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre. E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.
– Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!
A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... Casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.
Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas– e dizia:
– Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.
Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... Tudo sobre a mesa. Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também.
Pra quê televisão? Pra quê rua? Pra quê droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.... Era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade...
Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa... A mesma alegria se repetia. Quando iam embora também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... Até que sumissem no horizonte da noite.
O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:
– Vamos marcar uma saída!... – ninguém quer entrar mais.
Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.
Casas trancadas.. Pra quê abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos, do leite...
Que saudade do compadre e da comadre!
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Autor: José Antônio Oliveira de Resende
Professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura, da Universidade Federal de São João del-Rei.
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