[Valid RSS] [Valid RSS] [Valid RSS] Labirintos e Fascínios: Dezembro 2012

18 de dezembro de 2012

Reflexões sobre Arte.

Se estudássemos as obras de arte apenas pelo seu assunto - pelo seu espaço temático - cairíamos em considerar apenas a Obra de Arte é algo de mais profundo. Se ilustra algo é mais a personalidade do seu criador, e daí a sua relevância espiritual, que a de qualquer tema dado, seja religioso, político ou histórico.

Tudo o que apenas teve vida imaginária, essas demoníacas ameaças na pintura do Bosch, hoje tem a mais terrível concretização. Daí agora viermos todos aterrorizados. E que querem, depois:?

Não estamos em condições históricas e sociais de criar mitos literários como os gregos. Mas é nas arte plástica que tal está a efetuar-se. Tudo o que é "monarruoso" na pinura e na escultura, aparentemente desumano, no fundo represena uma nova capacidade de criação artística.

                                          

Pelos caminhos da Arte...


A grande operação da Arte é revelar o "mistério" das coisas que nos são familiares.

A Arte , como criação, só existe quando dentro de nós se dá a projeção da realidade e a
desenvolvemos ampliando-a em inúmeras ressonâncias.

Fico como que siderado de embriaguês pela silenciosa beleza das formas, na sua concreta realidade,
no seu colorido, nos subtis jogos de luz e sombra, na sua irrefragável colocação
dentro do espaço cúbicoem que me movo e habito... (1989)

O Belo é sempre o produto final da Arte, independentemente de qualquer padrão.
O Belo surge à medida que há criação. O Belo é resultado sempre dessa criação.
Creio que Kant pressentiu isso mesmo.

Se há campo onde tudo seja movediço, inseguro, é o da Arte; todavia, as certezas dos artistas e
poetas são verdades absolutas.

Todo criativo, todo artistas, se não conviver com o real, se não observar a natureza como a  própria natureza anónima, quasi despojada da Cidade, perderá o pé nas suas pesquisas plásticas, por muita fantasia que tenha... E quanto mais imaginoso for, mais se arrisca a malograr-se.

(Adriano de Gusmão)


Esse Real que me Envolve Magicamente!...


Mau grado a minha reserva quanto ao naturalismo em Arte, o certo é que se desenvolveu em mim a capacidade de referenciar, de captar plasticamente o real.

De tal modo o comtemplo hoje (esse ral que me envolve magicamente) que dificilmente me afastaria de lhe ser fiel, porque, na verdade, sinto-me absolutamente seduzido pela realidade, seduzido pela realidade dos objetos, na sua volumetria e expressão da própria luz, conforme a hora do dia ou da noite.

E não só os objectos, a própria atmosfera, expressão do espaço que ocupo, lança-me num tal encantamento pela realidade, pela VIDA afinal do que é inorgânico que mais se parece tudo uma aparição misteriosa e milagrosa, filha mais da minha imaginação e sensibilidade, criação do meu OLHAR, que, todavia, não põe em dúvida a existência, fora de mim, desse mesmo real convincente e Belo!...