[Valid RSS] [Valid RSS] [Valid RSS] Labirintos e Fascínios: Novembro 2012

30 de novembro de 2012

A Angústia de nosso tempo, Gustavo Corção



A grande angústia de nosso tempo é um sentimento de excomunhão. Não sentindo em si uma existência própria, uma atividade própria, o homem precisa desesperadamente de um apoio exterior, muito mais, e muito mais nervosamente do que as exigências de sua natureza. Um andaime que lhe falte, ele logo se sente desvairadamente infeliz, como quem, num pesadelo, se achasse numa sala onde todo mundo se divertisse em chinês. Desajustado, não compreendendo o chinês em que os outros riem e cantam, o excluído só pode fazer uma coisa que não exige sociabilidade: chorar. E olhe lá! O resultado aí está: uma sociedade em pânico, que tudo aposta na estridência e na visibilidade; uma sociedade de aterrorizados que pisa os pobres, os pequeninos, os doentes, na fúria de atingir um estrado em praça pública, de onde possam fazer, uns aos outros, sinais febris e sem significação. 
Para a moça que se debruça ansiosa sobre um figurino, a fim de saber o que deve fazer com seus próprios cabelos; para o jovem poeta que procura qual é o nome em voga, o livro que deve ser lido e falado; para a patroa que vai à conferência; para a cozinheira que vai ao carnaval, o que importa, acima da realidade do cabelo, da poesia, do humanismo e do pandeiro, é entrar no grande palco iluminado, e pegar a deixa dos outros personagens desse drama confuso, que três bilhões de atores mal ensaiados representam, durante anos e anos, à luz da desdenhosa Aldebarã.


26 de novembro de 2012

Para o resto de nossas vidas



Existem coisas pequenas e grandes, coisas que levaremos para o resto de nossas vidas. Talvez sejam poucas, quem sabe sejam muitas, depende de cada um, depende da vida que cada um de nós levou.
Levaremos lembranças, coisas que sempre serão inesquecíveis para nós, coisas que nos marcaram, que mexeram com a nossa existência em algum instante.
Provavelmente iremos pela a vida a fora colecionando essas coisas, colocando em ordem de grandeza cada detalhe que nos foi importante, cada momento que interferiu nos nossos dias, que deixou marcas, cada instante que foi cravado no nosso peito como uma tatuagem.
Marcas, isso... serão marcas, umas mais profundas, outras superficiais porém com algum significado também. Serão detalhes que guardaremos dentro de nós e que se contarmos para terceiros talvez não tenha a menor importância pois só nós saberemos o quanto foi incrível vivê-los.
Poderá ser uma música, quem sabe um livro, talvez uma poesia, uma carta, um e-mail, uma viagem, uma frase que alguém tenha nos dito num momento certo.
Poderá ser um raiar de sol, um buquê de flores que se recebeu, um cartão de natal, uma palavra amiga num momento preciso. Talvez venha a ser um sentimento que foi abandonado, uma decepção, a perda de alguém querido, um certo encontro casual, um desencontro proposital.
Quem sabe uma amizade incomparável, um sonho que foi alcançado após muita luta, um que deixou de existir por puro fracasso. Pode ser simplesmente um instante, um olhar, um sorriso, um perfume, um beijo.
Para o resto de nossas vidas levaremos pessoas guardadas dentro de nós. Umas porque nos dedicaram um carinho enorme, outras porque foram o objeto do nosso amor, ainda outras por terem nos magoado profundamente, quem sabe haverão algumas que deixarão marcas profundas por terem sido tão rápidas em nossas vidas e terem conseguido ainda assim plantar dentro de nós tanta coisa boa.
Lá na frente é que poderemos realmente saber a qualidade de vida que tivemos, a quantidade de marcas que conseguimos carregar conosco e a riqueza que cada uma delas guardou dentro de si.
Bem, lá na frente é que poderemos avaliar do que exatamente foi feita a nossa vida, se de amor ou de rancor, se de alegrias ou tristezas, se de vitórias ou derrotas, se de ilusões ou realidades.
Pensem sempre que hoje é só o começo de tudo, que se houver algo errado ainda está em tempo de ser mudado e que o resto de nossas vidas de certa forma ainda está em nossas mãos.

(Silvana Duboc)

20 de novembro de 2012

Talvez amanhã seja tarde demais...



"Se você está bravo com alguém e ninguém faz nada para consertar a situação, conserte você.
Talvez, hoje, aquela pessoa ainda queira ser sua amiga e, se você não consertar isto, amanhã, talvez, seja muito tarde.

Se você está apaixonado por alguém, mas a pessoa ainda não sabe, diga a ela.
 Talvez hoje, aquela pessoa também seja apaixonada por você e, se você não falar isto hoje, talvez amanhã, seja muito tarde.

Se você morre de desejos de dar um beijo em alguém, então dê.
Talvez aquela pessoa também queira seu beijo e, se você não der isto a ela hoje, talvez amanhã seja muito tarde.

Se você ama alguém e acha que ela te esqueceu, então diga a ela.
Talvez esta pessoa o ame e, se você não lhe disser isso hoje, talvez amanhã seja muito tarde.

Se você precisa do abraço de um amigo, você deve pedir-lhe.
Talvez ele precise disto mais que você e, se você não lhe pedir hoje, amanhã pode ser muito tarde.

Se você realmente tem amigos, os quais aprecia, fale isto a eles.
Talvez eles também o apreciem e, se eles partem ou vão embora, talvez amanhã seja muito tarde."

(Desc. autor)



18 de novembro de 2012

Morrer em Vida é Fatal


Nunca esqueci de uma senhora que, ao responder por quanto tempo pretendia trabalhar, respondeu com toda a convicção: “Até os 100 anos”. O repórter, provocador, insistiu: “E depois?”. “Ué, depois vou aproveitar a vida”. É de se comemorar que as pessoas aparentem ter menos idade do que realmente têm e que mantenham a vitalidade e o bom humor intactos – os dois grandes elixires da juventude. 

No entanto, cedo ou tarde (cada vez mais tarde, aleluia), envelheceremos todos. Não escondo que isso me amedronta um pouco. Ainda não cheguei perto da terceira idade, mas chegarei, e às vezes me angustio por antecipação com a dor inevitável de um dia ter que contrapor meu eu de dentro com meu eu de fora. 

Rugas, tudo bem. Velhice não é isso, conheço gente enrugada que está saindo da faculdade. A velhice tem armadilhas bem mais elaboradas do que vincos em torno dos olhos. Ela pressupõe uma desaceleração gradativa: descer escadas de forma mais cautelosa, ser traída pela memória com mais regularidade ter o corpo mais flácido, menos frescor nos gestos, os órgãos internos não respondendo com tanta presteza, o fôlego faltando por causa de uma ladeira à toa, ainda que isso nem sempre se cumpra: há muitos homens e mulheres que além de um ótimo aspecto, mantêm uma saúde de pugilista. 

A comparação com os pugilistas não é de todo absurda: é de briga mesmo que estamos falando. A briga contra o olhar do outro. Muitos se queixam da pior das invisibilidades: “Não me olham mais com desejo”. Ouvi uma mulher belíssima dizer isso num programa de tevê, e eu pensei: não pode ser por causa da embalagem, que é tão charmosa. 

Deve estar lhe faltando ousadia, agilidade de pensamento, a mesma gana de viver que tinha aos 30 ou 40. Ela deve estar se boicotando de alguma forma, porque só cuidar da embalagem não adianta, o produto interno é que precisa seguir na validade. Quem viu o filme “Fatal” deve lembrar do professor sessentão, vivido por Ben Kingsley, que se apaixona por uma linda e jovem aluna (Penélope Cruz) e passa a ter com ela um envolvimento que lhe serve como tubo de oxigênio e ao mesmo tempo o faz confrontar-se com a própria finitude. 

No livro que deu origem ao filme (O Animal Agonizante, de Philip Roth), há uma frase que resume essa comovente ansiedade de vida: “Nada se aquieta, por mais que a gente envelheça”. Essa é a ardileza da passagem do tempo: ela não te sossega por dentro da mesma forma que te desgasta por fora. O corpo decai com mais ligeireza que o espírito, que, ao contrário, costuma rejuvenescer quando a maturidade se estabelece. 

Como compensar as perdas inevitáveis que a idade traz? Usando a cabeça: em vez de lutarmos para não envelhecer, devemos lutar para não emburrecer. Seguir trabalhando, viajando, lendo, se relacionando, se interessando e se renovando. Porque se emburrecermos, aí sim, Não restará mais nada. 

(By Martha Medeiros)

15 de novembro de 2012

A grande aventura da vida


Quando se volta para dentro de si, você não deixa pegadas que possam ser seguidas por alguém. 

Isso é impossível, já que o território interior de cada pessoa é tão diferente que nem as pegadas de Buda o ajudariam a seguir - se você seguir as pegadas de Buda literalmente, nunca encontrará a si mesmo.

O mapa de Jesus não vai ajudá-lo. Você não pode segui-lo literalmente. Ele pode ajudar você de maneira indireta; pode conscientizá-lo de certas coisas interiores, mas num sentido muito vago; pode lhe dar a confiança de que: "Sim, sem dúvida há um mundo interior, porque tanta gente não pode estar mentindo. Buda, Jesus, Zaratustra, Lao Tsé, Mahavira, Krishna, Maomé - esses indivíduos tão belos não podem estar mentindo. Não podem fazer parte de uma conspiração. Para quê? Eles nunca coexistiram - viveram em épocas diferentes, em países diferentes - e, no entanto, todos falam a mesma língua... "

Mas você não pode segui-los de maneira precisa, porque o território interior de Buda é diferente. Cada indivíduo é único, tanto que você têm de se descobrir sozinho - e para isso é preciso grande coragem.

Essa é a grande aventura da vida, e quem prossegue nessa aventura é abençoado. 

Osho, em "Meditações Para A Noite"


14 de novembro de 2012

Deixemos vir o tempo das mudanças


Começa cada dia por dizer a ti próprio: hoje vou deparar com a intromissão, a ingratidão, a insolência, a deslealdade, a má-vontade e o egoísmo - todos devidos à ignorância por parte do ofensor sobre o que é o bem e o mal. 
Mas, pela minha parte, já há muito percebi a natureza do bem e a sua nobreza, a natureza do mal e a sua mesquinhez, e também a natureza do próprio culpado, que é meu irmão (não no sentido físico, mas como meu semelhante, igualmente dotado de razão e de uma parcela do divino); portanto nenhuma destas coisas me ofende, porque ninguém pode envolver-me naquilo que é degradante, senão eu mesmo. 
Nunca se protele o ato de questionamento quando se é jovem, nem canse o fazê-lo quando se é velho, pois que ninguém é jamais pouco maduro nem demasiado maduro para conquistar a saúde da alma. E quem diz que a hora de filosofar ainda não chegou ou já passou assemelha-se ao que diz que ainda não chegou ou já passou a hora de ser feliz. 
Somos seres sedentos pelo crescimento, em constante e intermináveis mutações. Deixemo-nos vir, então, o tempo de mudanças... 

Autora: Jéssica C. escritora e poeta 


11 de novembro de 2012

A vida existe no viver



Quando o Rabbi Birnham estava em seu leito de morte, sua esposa explodiu em lágrimas. Ele disse: "Por que você está chorando? Toda a minha vida foi apenas para que eu pudesse aprender a morrer".A vida existe no viver. Ela não é uma coisa, é um processo. Não há nenhum modo de alcançar a vida exceto estando-se vivo, fluindo, movendo-se com ela. 

Se você está buscando o sentido da vida em algum dogma, em alguma filosofia, em alguma teologia, esse é o caminho certo para perder-se a vida e seu significado, ambos. 

Osho, em "Vida, Amor e Riso"
Imagem por Eddi 07