[Valid RSS] [Valid RSS] [Valid RSS] Labirintos e Fascínios: Julho 2012

30 de julho de 2012

A AMIZADE É UM SEGREDO DA VIDA


Um escritor inglês disse que a amizade constituía um dos segredos da vida. Que vence o mais empedernido coração, desenvolve a parte mais nobre da alma e favorece a prática do bem. Desarma a resistência e abranda a natureza humana. Estas palavras avivam a necessidade de sabermos conviver com os outros. Vivemos em sociedade, não somos ilhas isoladas (não devemos ser), necessitamos de apoio e de saber cultivar a solidez da amizade, lembrando-nos que, provavelmente, os amigos de pura gema não serão tantos como os dedos das nossas mãos.
A amizade é rara e preciosa. Um amigo nunca recusa nem o abraço nem o ombro onde o outro amigo (a) necessita de apoiar-se quando o que lhe apetece é desistir. De tudo! O amigo conta sempre com o outro em tempos de desânimo, sofrimento, desespero e, quando se senta à sua frente e fala, fala, em sã cumplicidade, vai readquirindo o ânimo perdido.Costuma dizer-se que só há uma regra para o bom conversador: aprender a ouvir. E, praticada, quantas são as coisas boas que se descobrem nos diálogos-monólogos, observando quem fala, acompanhando-lhes os silêncios, decifrando as pausas, deixando-nos absorver pela linha do pensamento que é exposto, por vezes com visível satisfação pessoal por parte de quem fala; outras, com manifesta angústia pela confidência que era necessário partilhar.
Não é privilégio de muitos mas seguramente faz parte da personalidade do verdadeiro amigo, daquele que fala pouca mas que escuta atentamente. Daquele que se procura quando o dia, por isto ou por aquilo, pesa demasiado sobre as costas, como se o mundo caísse, inexplicavelmente, em cima dos ombros. Ou quando os dias não têm claridade nem tom: são, apagados, nublados, tristes, impregnados da saudade que aperta com uma nostalgia marcante. Aí, o diálogo sabe bem. Funciona como se duas mãos se estendessem na procura do tal ombro onde se quer encostar o rosto e, provavelmente, chorar. Ou não. Há lágrimas que nunca rompem os diques interioresapenas entram, silenciosamente, no ritmo da respiração.
Se o diálogo é, portanto, uma terapia particularmenteeficaz, ter o amigo, a amiga (os bons ouvintes), é uma dádiva notável que deve agradecer e não se afastar. Porque o número de amigos a sério, de corpo inteiro (nem sempre presentes mas nunca ausentes), nunca abundarão. A amizade supera o mais valioso diamante que possa existir no mundo. É pedra preciosa, valiosíssima e rara. Não se vulgariza. Um mundo sem amigos é como tentar agarrar o mar dentro de um búzio ou tentar contar as estrelas que brilham, é tarefa impossível. São tentativas frustrantes que nos deixam na aridez do deserto. Sós, rodeados do nada. Há que saber viver dentro das regras do jogo que o Universo ensina e exige
A vida é para ser compartilhada com fraternidade e merecida com entusiasmo, vencendo inibições, derrotas, traições, desencantos, desafiando o futuro. Boris Pastemark, escritor e poeta, autor do romance Doutor Jivago, é considerado um dos maiores expoentes da literatura russa contemporânea (morreu em 1960). É dele esta pergunta: 
-Pode alguém controlar o seu futuro?”
E a resposta é também dele:
-Pode, independentemente do sistema em que viva, creio que em toda a parte os homens têm mais força do que nunca sobre o seu futuro”
Longe de nos sentirmos desesperançados ou impotentes, devemos agarrar qualquer oportunidade, por menor que seja, para auxiliar o mundo que nos rodeia, no sentido dapaz, da produtividade e da fraternidade humana.
Estamos em 2012 e as suas palavras continuam a ser actuais. O mundo deveria parar de se fragmentar, de cessar conflitos, e reaprender a ser solidário, fraternopara que o legado dos adulto de hoje às crianças do amanhã seja uma herança positiva, sólida, sã, capaz de abrir caminhos novos e seguros.
Se cada um de nós é uma célula do infinito Universo e pertence aos mil milhões da população, é necessário no dia-a-dia contribuirmos para que passos positivo sejam dados. Se assim fizermos há triliões de passos, por segundo, em movimento, na marcha grandiosa rumo ao amanhã.
Pode controlar-se o futuro dentro de padrões há muito estipulados mas nunca devemos percorrer a estrada da vida num ritmo solitário. A família é o pilar, é a grande muralha que nos apoia nos tremendos vendavais que cortam a respiração e nas estonteantes alegrias. Osamigos, esses, estão (longe ou perto), a nosso lado sempre que os chamamos e nessa dinâmica troca de dar e receber: amizade, gratidão e o conforto do apoio que conduz à sensação de felicidade. Esta potencialidade grandiosa do sentimento humano é capaz de gerar a mais deliciosa harmonia. Connosco e com os outros.

Não rejeite um amigo. Nunca.

Fonte: Blog Bruma de Sintra
Autora: Elvira M. Bento

27 de julho de 2012

O Jumento que decidiu uma difícil causa.


Lembrei-me, hoje, de um inusitado caso que ocorreu com o meu avô materno , o Desembargador Dr. Hemetério Fernandes, fundador e primeiro Presidente da Instituto da Ordem, dos Advogados do Brasil, seção do Rio grande do Norte. Homem apegado à cultura, também foi um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.Era ainda jovem e recém casado. quando foi nomeado para a distante cidade de Martins, onde causas de difíceis solução ocupavam grande parte das estantes de sua sala de trabalho. Desavenças por questões de terra, algumas de antigas sesmarias, ocupavam boa parte do tempo do jovem magistrado.
Uma dessas questões foi ade dois "coronéis" que, irredutiveis, disputavam um pedaço de terra. Na sua mesa de trabalho, instalada na sala que dava para a rua da pequena cidade, o Dr. Hemetério estudava o difícil processo, contendo antigas escrituras. Um dia, ainda às voltas com o complicado quebra-cabeça, sem vislumbrar no meio de toda aquela quase centenária disputa, que já envolvia os filhos dos já falecidos litigiantes. minha avó veio chamá-lo para o almoço.
Na sala de jantar, meu avô ouviu o ruído surdo de pisadas, provavelmente, pensou, de alguém que entrou sem se anunciar. Falando alto, pediu ao desconhecido para sentar-se, enquanto terminava de almoçar. Antes, convida-o para o almoço. Não obteve resposta, e ficou pensando que se tratava de uma pessoa tímida ou com audição deficiente.
Nem desconfiara, meu avô, que o desconhecido era um jumento que, encontrando a porta aberta, penetrara na sala a dentro e, pisando macio, foi direto à escrivaninha do juiz. E, de apetite aguçado e voraz, "almoçou" as folhas amareladas das velhissimas e irrecuperáveis escrituras.
Quando o Dr. Hemrtério retornou à sala, deparou-se com o jumento ainda mastigando gostosamente as últimas porções do trabalhoso processo.
Entre aflito e espantado, num gesto impulsivo, avancou na direção do abimal, na tentativa perigosa de arrancar um pedaço do processo ainda à mostra. Mas, o jumento, assustado, também, numa manobra rápida, ganhou a rua, passando pela porta escancarada.
Preocupado, o magistrado mandou chamar os dois fazendeiros irreconciliáveis e narrou-lhes o acontecimento irreparável.
- Agora só há uma saída: um acordo amigável.
Oferecendo-se para servir de árbitro, convida-os para discutir e chegar a um entendimento. Sem outra opção, aceitam a mediação do juiz. E chegaram a um acordo, encerrando, assim, uma antiquíssima desavença.
- E dessa maneira - dezia, . Dr. Aldo Fernandes a seus alunos, na Faculdade de Direito de Natal= pela primeira vez na história um jumento concorreu, decisivamente, para resolver uma complicada questão de terras.



21 de julho de 2012

A única poesia que existe

O amor é a única poesia que existe. Todas as outras poesias são apenas um reflexo dele. A poesia pode estar no som, pode estar na pedra, pode estar na arquitetura, mas basicamente esses são todos reflexos do amor, captados em diferentes veículos.
Mas a alma da poesia é o amor, e aqueles que vivem o amor são os poetas reais. Eles podem nunca escrever poemas, podem nunca compor uma música, podem nunca fazer algo que normalmente as pessoas consideram como arte, mas aqueles que vivem o amor, que amam completa e totalmente, esses são os poetas reais. 
A religião é verdadeira se ela criar o poeta em você. Se ela matar o poeta e criar o pretenso santo, ela não é religião: é patologia, um tipo de neurose vestida com termos religiosos.
A verdadeira religião sempre libera a poesia, o amor, a arte, a criatividade em você, ela o deixa mais sensível. Você pulsa mais, seu coração tem uma nova batida, sua vida não é mais um fenômeno monótono e trivial. Ela é uma constante surpresa, cada momento abre novos mistérios.
A vida é um tesouro inesgotável, mas somente o coração do poeta pode conhecê-la. Não acredito em filosofia, não acredito em teologia, mas acredito na poesia. 

Osho, em "Osho Todos os Dias - 365 Meditações Diárias"


20 de julho de 2012

A vida é poesia


A vida é um caso de amor, é poesia, é música. Não faça perguntas feias como: qual é o propósito?

Porque no momento em que você pergunta isso, você se desconecta da vida.

A vida não pode ser interligada por questões filosóficas. A filosofia precisa ser deixada de lado.
Osho, em "Não-Pensamento do Dia",
no site www.osho.com

19 de julho de 2012

Mistério no exterior, poesia no interior


Uma pessoa deve entender o Ah! das coisas e então tudo é compreendido.
Dizem que a filosofia começa com o maravilhar-se. Talvez. Mas a filosofia sempre tenta destruir a maravilha - ela quer matar sua mãe. Todo o esforço da filosofia é desmistificar a existência.
Quanto mais você acha que sabe, menos você tem respeito, maravilha, reverência, amor. A existência então parece estar no passado, sem relevo; não há mais nenhum mistério nela.
E é claro que, quando não houver nenhum mistério no exterior, não há nenhuma poesia no interior. Eles andam juntos, são paralelos: mistério no exterior, poesia no interior.
A poesia só pode surgir se a vida permanecer merecendo ser explorada. No momento que você sabe, a poesia morre; o ato de conhecer é a morte de tudo aquilo que é bonito em você.
E, com a morte da poesia, você vive uma vida que não vale a pena ser vivida - não pode ter significação, não pode ter nenhuma celebração. Não pode florescer, não pode dançar; você só pode se arrastar.
Então, talvez aqueles que dizem que a filosofia começa com o maravilhar-se estejam certos, mas eu gostaria de acrescentar mais uma coisa: ela tenta matar sua mãe.
A religião nasce com o maravilhar-se, vive com o maravilhar-se. A religião inicia com o maravilhar-se e termina com mais maravilhar-se. Essa é a diferença entre a filosofia e a religião - ambas podem ter o seu começo com o maravilhar-se, mas depois elas pegam caminhos separados.
A religião começa procurando compreender os mistérios e descobre que esses mistérios vão se aprofundando. Quanto mais você sabe, menos sabe, e o resultado do saber é a ignorância. 
Você fica totalmente ignorante, não sabe absolutamente nada. Um estado de inocência é alcançado. Nesse estado de inocência, a poesia atinge sua perfeição. Essa poesia é a religião. 

AUTOR: Osho, em "A Revolução: Conversas Sobre Kabir"
Imagem por ~jjjohn~


17 de julho de 2012

Fragmentos de um mosaico singular que...


Só conhecemos o todo, se entendemos os fragmentos que o constituem...
Fragmentos... pedaços de sentimentos, de coisas, de histórias, pedaços de alma, pedaços de nós...
Alguns escondidos, camuflados, para que não nos encontremos; outros,  apenas acomodados sutilmente para proporcionar conforto a nossa identidade.

Existem aqueles que se revelam com o cuidado de não expor sua essência, enquanto fragmento.
Alguns envergonhados de sua condição de estilhaço deixam de compreender a importância da totalidade de seu brilho próprio. Alguns, ainda, no anonimato, esperam a hora de se diferenciar, de parar de estar ali apenas para complementar.
Penso ainda no fragmento livre, sem compromisso. Fragmento que goza da liberdade de estar casualmente presente, sem buscar demarcações, regras pré-definidas, conceitos. Goza do simples fato de existir.

Caso não tenha destaque, não há problema. O que importa é compor o todo, o coletivo.
O que importa é contribuir para uma figura verdadeiramente plena na sua estrutura multi-facetada, como nichos de um ecossistema, onde cada parte é unicamente importante e coletivamente essencial.
Conhece teus cacos, um por um, para entender o mosaico tão pleno e tão singular que compõe com maestria o desenho da tua história e da pluralidade da vida.

Autora: Maisa Splendore Della Casa.  Uma Professora Dra. Bióloga com alma de poeta. Amo a sensibilidade dessa abençoada senhora.

13 de julho de 2012

O fascínio de olhar o céu...


Gosto de olhar o céu, seja qual for a hora do dia. Fixar as nuvens que deslizam lentamente nessa imensa tela -é sempre uma descoberta fascinante- já que cada forma nos parece um desenho de forte criatividade. Assim, a tela transforma-se numa galeria aberta onde centenas de obras (chamo-lhe as farófias do céu) passam livremente pelos nossos olhos, provocando a imaginação perante a oferta tão sedutora e criativa. 

Mas, sem dúvida, é à noite que o o tecto que nos abriga neste planeta transparente é mais exuberante e mágico, renovando (descaradamente) a provocação de o admirar e de, olhando-o atentamente, tentar passar para lá dos brilhos que parecem espiar-nos. À janela, ou no jardim, renovo o prazer de acenar às estrelas com a patética inocência de pensar que com este movimento estou a interligar-me com o Universo. Olho o céu com frequência embora poucas sejam as vezes que sinta ser bem sucedida. É mesmo raro. As noites de veludo, salpicadas de brilhos, estão a ser cada vez mais mais difíceis de encontrar.

Texto de Maria Elvira Bento


5 de julho de 2012

Esta Natureza que me seduz e fascina!



Sim, a Lua é Natureza e tem sentido na Máquina do Mundo.. Mas o LUAR esplendoroso de uma noite calma de verão é outra coisa... É já pura criação duma divindade Poética... O Luar, como Natureza, será absolutamente inútil, sem sentido, nessa Máquina do Universo. Se, porém, é ainda Natureza, então é um luxo da Natureza... E só terá sentido para nós humanos, para os artistas e os poetas; nem para todos os homens, os práticos, por exemplo, os pragmáticos, os homens de negócios, os políticos... que nunca vivem na Lua...


Se eu não soubesse OLHAR para o que me é exterior - a Natureza, as pessoas.  e as cidades nas várias horas do dia e do ano - eu não saberia VER uma pintura ou qualquer outra obra de arte. Nem sequer saberia ler um romance ou uma poesia. (1983)


Tudo que é VIVO manifesta, ímperceptivelmente, a VIDA não pára... Vede as plantas, sobretudo as árvores. Como elas, junto ao chão, entumecem o solo, rebentam com os pavimentos, quebra m as pedras ou reservas das caldeiras que os jardineiros, por vezes, prepara à volta das raízes... Estas estão sempre a viver, a crescer, a desenvolverem-se . Cada dia que passa mal distinguimos as diferenças, mas passadas semanas ou meses, tornam-se evidentes os acrescentos, as alterações infinitesimais que se operaram ao longo do tempo. (1980).

O homem solitário na natureza, como, simples animal, nunca interrogaria acerca de seu fim último na vida. Se o faz é porque vive em sociedade. Ora a própria sociedade nos dá a resposta, que não sendo uma verdade universal, é, no entanto, uma verdade prática e útil: a de sermos prestáveis ao nosso semelhante. (1958)


A tragédia do Homem, da nossa vida, deriva de havermos violado o estatuto da Natureza. A luta pela vida existe entre todas as espécies animais. Nós somos porém um "animal" dotado de uma capacidade aterradora - a da inteligência livre. Quando mesmo construimos uma ÉTICA - ela além de ser uma 'criação´ humana limitada, pois,  nos seus parâmetros, e hoje sujeita a estas catastrofes de uma dimensão jamais experimentada na História. (1984)

Na praça, esta árvore (Tília?) muito parada, de tronco muito vertical, a copa grande como um penteado de menina antiga, preparada para um baile... Imagem irreal.  O Luar ainda faz lua cheia! Dava-lhe um ar fantamasgórico. A bela e vaidosa árvore, garanto-o, pousava para um retrato, para a eternidade... Só que de noite não  consigo fazer uma fotografia ao ar livre, duma árvore livre e algo presunçosa...


A Arte nunca se pode identificar com a Natureza, mesmo que o homem o quisesse fazer. O artista nada pode fazer do que representar a Natureza, o real, a vida: e então sim, pode submeter-se-lhe a violentá-la, segui-la ou voltar-lhe as costas.
Mas, a Natureza fica inalterável e indiferente à presença humana do artista, salvo quando este é urbanista; e a Arte agita-a nos seus limites próprios, cortada a liberdade que os modernos documentam.


Adriano de Gusmão
(In Memoriam)

4 de julho de 2012

Divagações de um pensador solitário...


Todas as situações entre humanos tem a sua virgindade própria. Pode haver sempre um instante em que se passa do limite, se  rompe uma  linha de conduta, e que depois não se pode voltar atrás.   Irreconstituível!


O homem, sim, é racional, mas a vida não o é. A vida humana, claro, nas suas relações entre si, porque elas não podem deixar de obedecer ao sentimento. Aproximamo-nos ou afastamo-nos das pessoas. desde a simpatia até ao amor, e à paixão, ou desde a antipatia até ao ódio e ao rancor. Vida irracional esta dos sentimentos.


Eu tenho, felizmente, a alegria estética; tu, infelizmente, terás a alegria (?) política, a alegria a mais trágica, sobretudo pelo pelo caminho em que te meteste. Eu terei a alegria, sobretudo pelo caminho em que te meteste. Eu terei a alegria dionisíaca, a que me identifica com o Universo e a Humanidade..


A Revolução - na generalidade - é tornar possível, é tornar actual, o que parecia improvável ou impossível.
Isto em qualquer campo - arte, política, amor, seja o que for...


Aqui, parece que a paisagem nada tem de especial e, todavia, a Serra, no sentido geológico do termo, é tudo, nas cores quentes que oferecem então aos nossos olhos, e na promessa de vida. 


O nosso olhar é esteticamente proprietário de toda a paisagem. Nem muros, nem sebes, nem proibição... Olhar livre - tal como foi o do homem no princípio do Mundo... O OLHAR é o sentido que, ademais, observa e goza os objectos luminosos mais longínquos do nosso Universo - Lua, estrelas, galaxias...


Não vivemos em inveja evocando velhas amizades de camaradas desaparecidos. Não - vamos é cimentar amizades novas, olhando para o futuro e não para o passado que nem sempre temos. TUDO NOVO!

Adriano de Gusmão
(1981)

3 de julho de 2012

Notas Soltas e Heréticas...



Sendo a Arte uma manifestação eminentemente social, já como produto de um meio cultural, já como objeto de consumo, o que implica ser um meio de comunicação, uma extensão da nossa própria linguagem, o seu maior alcance será obtido quanto  mais crítica for. Uma arte gratuita dirigi-se-á apenas nos sentidos do amador. Para além da fantasia e do domínio técnico, a obra apresentará o seu significado próprio explicitado.

Muito frequentemente, quando me fixo no real, de súbito, surpreendentemente, este real assume uma tal forças plástica e expressíva, como se fosse interpretada por um artista de gênio... Em toda esta gigantesca operação de debulha com fardos de feno, volumetria, tons de cores vivas e profundas, como se fora de pincéis de um grande pintor.
Os "jaunes", os marrons, os verdes duma peça de verdura ou de um jarro exaltam-se sobre o fundo do amarelo sujo dos pardais.
O interessante desta gigantesca operação de debulha está na expressividade da situação.
Não! O realismo não acabou, não está extinto!... Hoje a garra para o traduzir, que de novo a humanidade voltaria a seduzir-se pelo real, a matéria prima do nosso quotidiano.
Se se souber ver esteticamente o real, este real será sempre uma novidade.
VEJO como se ouvisse o real, a realidade... Capto sutilezas, silêncios inesquecíveis, notas vibrantes...


Cada um de nós é conforme a força mestres do nosso capricho - analítica ou impressiva. Gosto de música, sim. Sou sensível ao timbre das coisas, mas a minha força está na profundidade e riqueza do meu olhar.
Eu devia ter cultivado a arte do desenho e da pintura...

Adriano de Gusmão. Quinta do Espírito Santo/ Sapataria/ PT. 1990