[Valid RSS] [Valid RSS] [Valid RSS] Labirintos e Fascínios: Junho 2012

22 de junho de 2012

Esse Real que me envolve magicamente




Mau grado a minha reserva quanto ao naturalismo em Arte, o certo é que se desenvolveu em mim a capacidade de referenciar, de captar, plasticamente o real. De tal modo o contemplo, hoje (esse real que me envolve magicamente) que dificilmente eu me afastaria de lhe ser fiel, porque, na verdade, sinto-me absolutamente seduzido pela realidade dos objetos, na sua volumetria, e expressão da própria luz, conforme a hora do dia ou da noite. E não só os objetos, a própria atmosfera, expressão do espaço que ocupo, das salas, dos corredores, das ruas, das praças...
Tudo isso lança-me num tal encantamento pela realidade, pela VIDA afinal do que é inorgânico que mais me parece tudo uma aparição misteriosa e milagrosa, filha mais da minha imaginação e sensibilidade, criação do meu olhar, que, todavia, não põe em dúvida a existência fora de mim, desse mesmo real convincente e Belo!
By Adriano de Gusmão/1986




Fico como que siderado de embriaguês pela silenciosa beleza das formas - na sua concreta realidade, no seu colorido, nos sutis jogos de luz e sombra, na sua irrefragável colocação  dentro do espaço cúbico em que me movo e habito...


By Adriano de Gusmão / 1989




7 de junho de 2012

Retalhos de pensamentos...



Há no mundo muito mais emoção que razão. O que mantém o mundo em atividade é a loucura, fonte de vida. Com efeito, que outra coisa é o amor?  Todo o jogo e todo e todo o prazer não passariam de condimentos da loucura. Na verdade, que haverá de mais louco que a paixão?(1981)


Sentimentos não se reconstituem, nem pela memória. Uma vez vividos são do passado. E só o sentir é em nós absoluto. O sentimento não se pode discutir, porque nada adianta  para a nossa realidade existencial. Podem condenar-me eticamente certos  sentimentos, ou expressões  do nosso sentimento. Mas, o sentimento em si é uma realidade inapagável e indiscutível. É um dado. Já não são assim as idéias, porque  todas podem ser discutidas, pois nunca se é detentor da verdade absoluta e irrefragável.  Lógica e dialeticamente podem ser defendidos os mais evidentes absurdos. 
Os sentimentos têm a sua lógica interior, de associação e desenvolvimento, mas a nossa lógica mental é inoperante perante esse fluir inconsciente e espontâneo da nossa vida afetiva. (s/d)


Aos vinte e tal anos vivia constantemente enamorado, porque muito amava a vida que desabrochava a todo o instante. Hoje, entro numa permanente emoção, porque sofro a vida - até só porque ela é vida, e a testemunho com toda a consciência, na maior solidão interior. (1957)

A. de Gusmão