[Valid RSS] [Valid RSS] [Valid RSS] Labirintos e Fascínios: Maio 2012

29 de maio de 2012

Os Oceanos do Tempo


Hoje, ignoramos regras, estatutos, discursos arcaicos e vazios. Hoje, vamos olhar de frente, sem cedências, desmistificando falsos virtuosismos e os profetas do desalento. Hoje, ousamos ousar e provocamos os intocáveis que, escudados, gravitam nas esferas da ignorância anestesiada.
Hoje, é dia de acreditar no vigor da justiça, na sedução da inteligência, na consonância ambiciosa dos que trabalham, dos que não traem, não minimizam, não confundem. Hoje, sem “pompa e circunstância” dialogamos, com a verdade e ignoramos a táctica de dividir para reinar.
Hoje, é dia de fechar a porta à ironia e repudiar jogos de conveniência. Hoje, é dia apenas para estar e saborear. Repare, só por pensarmos e escrevermos, lentamente, abre-se uma janela por onde entram brisas renovadas e estimulantes! Sentimo-nos mais serenos, mais libertos e mesmo mais entusiasmados. A janela, neste caso, é a da Internet que, enigmaticamente, nos deixa na ponta dos dedos o pulsar do Mundo. E não só!
O ponto de encontro dos bloggers é uma riquíssima explosão de saberes e uma total liberdade de visões e opiniões quando atiram irreverentemente para o Globo páginas preciosas de criatividade. Diria que a Internet é uma pérola de procuras. E, por procuras, recordei algo que gosto de relembrar.
“…Percorri os Oceanos do Tempo para te encontrar…”.
Esta frase (linda) pertence a um filme de Copolla, “Drácula” e, obviamente, à partida, nada tem que ver com Portugal nem com os portugueses mas lembrei-me dela quando ao pensar neste jardim à beira-mar plantado (continua a ser, apesar de ondas bravias que por vezes nos atingem), berço dos maiores navegadores do mundo, que nos gloriosos séculos XV e XVI descobriram a maior parte das terras de África, América e Ásia. Portugal, maravilhoso nos seus 90 mil quilómetros quadrados debruçados pelos 800 quilómetros de costa inebriante e renovadamente bonita.
Portugal continua a ser lindo mas, sobretudo, continua a ser um país de essência. Há que senti-la e entendê-la. O desafio nem sempre é fácil! Por exemplo, saudade? O que é? Como a sente? Como a explica? Um estado de alma? Uma emoção? Um afecto? Apenas uma expressão? Seja o que na realidade sentir, saudade é muito palavra muito nossa. Nenhum país a tem no seu vocabulário.
É um estar não estando; é um querer não tendo; é um partir ficando; é um destilar de nostalgia. Não se sabe a sua origem. Há quem defenda que, um dia, foi dita por uma mãe ao despedir-se do filho que emigrava. Talvez sim, talvez não. É bem provável que seja uma herança genética que nos tocou profundamente e que soube resistir ao passar do tempo.
”…Percorri os Oceanos do Tempo para te encontrar…”.
É uma busca tão íntima e, simultaneamente, tão intensa, uma confissão solitária e sofrida que rivaliza com saudade. É um mescla de amor e de sofrimento pela ausência da pessoa amada. Ficava bem num fado! Por isso se Carlos do Carmo o cantasse seria um dolente fado de amor e de procura que poderia terminar assim: “e não te encontrei” ou “amei-te perdidamente”, antecedendo os acordes finais e vibrantes de uma guitarra em forma de coração.
Autora: Maria Elvira Bento
Blog Brumas de Sintra.http://brumasdesintra.wordpress.


23 de maio de 2012

BORBOLETAS


"Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de se decepcionar é grande.
As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as dela.
Temos que nos bastar... nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.
As pessoas não se precisam, elas se completam... não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.
Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida.
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, e principalmente a gostar de quem gosta de você.
O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar
não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!

(Mário Quintana)

17 de maio de 2012

Aquelas tardes....


Há tardes que descem com volúpias e silêncios a cheirar a rosas e a saudades. Há tardes de sonhos ardentes, iluminadas de luz mágica e ânsias de agarrar o tempo desmaiado –“Se tu viesses ver-me hoje à tardinha/A essa hora dos mágicos cansaços/Quando a noite de manso se avizinha/E me prendesses toda nos teus braços” (Florbela Espanca).

Há tardes de encantos e de anseios semeados de fantasias deslumbradas. Tardes diferentes, nossas, vividas em ilusões.
Há tardes assim: envolventes, com vozes distantes e murmúrios de vento. São tardes de confidências e ansiedades que nos provocam e agitam como se as flechas da memória nos levassem livres nas asas dos pensamentos.
E o que está longe fica perto, o que é impossível concretiza-se, o que é ilógico torna-se compreensível.
Tudo se transforma como se, por passes de magia, o cair lento da tarde luminosa estendesse as mãos guiando pelos labirintos do querer, na procura do que anima, preocupa ou estimula.
Sinta as vozes, os murmúrios dessas tardes que falam só para si e relembram lapsos do passado. Não que só por si ele seja o único tónus do futuro. Não corra esse risco, não fique parada no tempo mas aprenda-lhe a escutar a voz.
A saudade quando entra com força no bater do coração é porque alguma mensagem importante precisa de ser ouvida ou relembrada. “Se tu viesses ver-me hoje à tardinha…”

Autora: Maria Elvira Bento (http://brumasdesintra.wordpress.com)


5 de maio de 2012

Todas as belezas do mundo


Hoje acordei apaixonado... Apaixonado pela vida! Louco de vontade de viver! Sedento por todas as belezas do mundo! Então, logo ao acordar, tratei de abrir bem os olhos, dei uma longa e merecida espreguiçada e rezei com fé uma oração ao Bom Deus. Em seguida, pulei da cama com animação, abri a janela do meu quarto e senti o sol com tudo de bom que ele oferece. Respirei fundo o ar puro da manhã. Somos privilegiados. Ainda podemos sentir o ar puro da manhã. Parei um pouco. Fiquei bem quieto e tive a alegria de ouvir os pássaros. Deixei a natureza tomar conta de mim e percebi que teria um dia diferente.
Antes de sair do meu quarto prometi a mim e a Deus que, durante este dia, teria uma visão otimista da vida, que minhas atitudes seriam positivas e verdadeiras e que nada abalaria a minha firme convicção de que a vida é bela. Nos dias atuais é muito mais fácil ser pessimista. Todos são pessimistas. É ligeiramente simples odiar o governo, o país, o seu time, a sua família e o seu emprego. Quando vemos um otimista, estamos diante de um elemento estranho: ele é um louco ou um gozador? Não tem mesmo sentido da realidade. É o que logo julgamos. Eu, no entanto, sou normalmente otimista. Porém, acabo sendo contagiado pelos pessimistas pegajosos do nosso cotidiano e perco-me em recaídas pessimistas lamentáveis.
Neste dia, entretanto, tomei uma importante decisão: vou ver a vida com os olhos apaixonados. Confesso, tive um dia significativamente melhor. Fui livre, leve e sincero. Senti a natureza com todo o seu esplendor. Fui capaz de perceber todos os meus sentidos. Não pensei em problemas, procurei as soluções. Vi e ouvi o bem-te-vi. Contei piadas. Ouvi boa música. Li e dei boas risadas. Como é bom dar umas boas risadas! Conversei “fiado” e discuti assuntos importantes. Procurei saber das novidades e passei pra frente as boas notícias. Tomei um bom banho. Percebi as belezas do meu corpo e fui vaidoso. Distribui simpatia e recebi sorrisos e delicadezas. Comprei um presente para mim e comi o que mais gosto. Elogiei as qualidades e não tive olhos para os defeitos. Mandei flores e recebi beijos. Vi na amada a mais bela de todas. Fui espontâneo e alegre. Não poupei sentimentos. Acreditei no futuro e agradeci a Deus. Vi a vida com os olhos da vida e fui uma pessoa melhor.
Viver a vida intensamente. Acreditemos, pois vale a pena! Nós, muitas vezes, complicamos demais na busca pela sobrevivência e esquecemos de viver o simples, a vida com mais vida. Vale o pensar longe e viver o perto. Vamos caminhar devagar, mas com passo firme. Assim, certamente, chegaremos lá. Ter os olhos para as coisas simples da vida. Eis aí todas as belezas do mundo.
Recordo Platão, o grande filósofo grego, que tão bem disse no seu diálogo “O Banquete”: “qualquer um em todo caso torna-se Poeta, desde que lhe toque o Amor”.

Aguinaldo Tadeu Gomes, B.B. Congonhas-MG (‘Jornal da CASSI’)