[Valid RSS] [Valid RSS] [Valid RSS] Labirintos e Fascínios: Abril 2012

18 de abril de 2012

Navegando o olhar pelas nuvens


Gosto de olhar as nuvens. Fascinam-me. Vê-las, é entrar num espaço de deleite onde se é desafiado ao exercício da livre interpretação, dando evasão à imaginação, perante a sucessão de imagens onduladas, estilizadas, que fazem da tela azul uma paleta de mensagens, continuamente em movimento e modificação.

As nuvens são mares por navegar, mundos por decifrar, mensagens por descodificar em imagens esbatidas, raiadas de luz e de surpresa: o rosto que nos fixa; a bailarina elegante que corre pelo espaço deixando um rasto de farrapos, de tule e de magia; o barco imponente, esfumado, que vagueia por cima da nossa cabeça, ao sabor das brisas dos ventos calmos; sereias serenas e deslizantes; mãos em preces; pianistas em pianos translúcidos; lutadores contorcidos em movimentos de ataque nos combates dos quais somos espectadores privilegiados e fascinados.
Cada nuvem é um desafio, um ensinamento, uma provocação aos sentidos. Um acordar de emoções perante os sucessivos quadros de água ou de umidade que adquirem vida nas imagens que continuamente criam. Passam com a ligeireza de momentos e ficam com a intensidade da nossa imaginação.

Autora: Maria Elvira Bento
Fonte: http://brumasdesintra.wordpress.com

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Eu sou o sussurro do vento, o calor de seu Sol, a incrível individulidade e a extraordinária
perfeicão de todos os flocos de nuvens
(Neale Donald Walsch)

13 de abril de 2012

Eu ganhei o direito de estar errada.

Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, minha amada família por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa. Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais amável para mim, e menos crítica de mim mesmo. Eu me tornei meu próprio amigo. Eu não me censuro por comer biscoito extra, ou por não fazer a minha cama, ou para a compra de algo bobo que eu não precisava, como uma escultura de cimento, mas que parece tão “avant garde” no meu pátio. Eu tenho direito de ser desarrumada, de ser extravagante.
Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.
Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar no computador até às quatro horas e dormir até meio-dia? Eu dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60 &70, e se eu, ao mesmo tempo, tiver desejo de chorar por um amor perdido ... Eu vou.
Vou andar na praia em um maiô excessivamente esticado sobre um corpo decadente, e mergulhar nas ondas com abandono, se eu quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros no jet set.
Eles, também, vão envelhecer.
Eu sei que eu sou às vezes esquecida. Mas há algumas coisas na vida que devem ser esquecidas. Eu me recordo das coisas importantes.
Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado. Como não pode quebrar seu coração quando você perde um ente querido, ou quando uma criança sofre, ou mesmo quando algum amado animal de estimação é atropelado por um carro? Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.
Eu sou tão abençoada por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos, e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto.
Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata.
Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo. Você se preocupa menos com o que os outros pensam. Eu não me questiono mais.
Eu ganhei o direito de estar errada.
Assim, para responder sua pergunta, eu gosto de ser velha. Ela me libertou. Eu gosto da pessoa que me tornei. Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou aqui, eu não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será. E eu vou comer sobremesa todos os dias (se me apetecer).
Que nossa amizade nunca se separe porque é direto do coração!
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Autora desconhecida


7 de abril de 2012

Além da linguagem


Tudo o que é grandioso está além da linguagem.

Quando existe muito a dizer, é sempre difícil dizê-lo. Somente pequenas coisas podem ser ditas, somente trivialidades podem ser ditas, somente o mundano pode ser dito.

Sempre que você sente algo transbordante, é impossível dizê-lo, porque as palavras são muito estreitas para conter algo essencial.

Palavras são utilitárias, boas para o dia-a-dia, para as atividades mundanas. Elas começam a ficar limitadas quando você se move além da vida comum. No amor não são úteis, na prece se tornam completamente inadequadas.

Tudo o que é grandioso está além da linguagem, e, quando você descobre que nada pode ser expresso, então você chegou, então a vida está repleta de grande beleza, de grande amor, de grande deleite, de grande celebração.

Osho, em "Osho Todos os Dias – 365 Meditações Diárias"