[Valid RSS] [Valid RSS] [Valid RSS] Labirintos e Fascínios: Março 2012

31 de março de 2012

SEJA UM IDIOTA


A idiotice é vital para a felicidade.
Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins.
No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.
Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.
Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo,soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?
hahahahahahahahaha!...
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?
É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí,o que elas farão se já não têm por que se desesperar?
Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa.
Dura, densa, e bem ruim.
Brincar é legal. Entendeu?
Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço,não tomar chuva.
Pule corda!
Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.
Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável.
Teste a teoria. Uma semaninha, para começar.
Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são:
passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...
Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?
A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore,dance e viva intensamente antes que a cortina se feche! 


29 de março de 2012

A Angústia do nosso tempo


A grande angústia de nosso tempo é um sentimento de excomunhão. Não sentindo em si uma existência própria, uma atividade própria, o homem precisa desesperadamente de um apoio exterior, muito mais, e muito mais nervosamente do que as exigências de sua natureza. Um andaime que lhe falte, ele logo se sente desvairadamente infeliz, como quem , num pesadelo , se achasse nua sala onde todo o mundo se divertisse em chinês. Desajustado, não compreendendo o chinês em que os outros e cantam, o excluído só pode fazer uma coisa que não exige sociabilidade: chorar. E, olhe lá! O resultado aí está: uma sociedade em pânico, que tudo aposta na estridência e na visibilidade; uma sociedade de aterrorizados que pisa os pobres, os pequeninos, os doentes, na fúria de atingir um estrado na praça pública, de onde possam fazer, uns aos outros, sinais febris e sem significação.
Para a moça que se debruça ansiosa sobre um figurino, a fim de saber om que deve fazer com seus próprios cabelos; para o jovem poeta que procura qual é o nome em voga, o livro que deve ser lido e falado;para a patroa que vai à conferência; para a cozinheira que vai ao carnaval, o que importa, acima da realidade do cabelo, da poesia, do humanismo e do pandeiro, é entrar no grande palco iluminado, e pegar a deixa dos outros personagens desse drama confuso, que três bilhões de atores mal ensaiados representam, durante anos e anos, à luz da desdenhosa Aldebarã
__________________________________________________________
AUTOR: Gustavo Corção,do livro Lições de abismo, Agir, Rio, 1974.



Esse texto, escrito pelo cronista brasileiro Gustavo Corção, em 1954, aplica-se esplendidamente aos dias atuais, como se tivesse sido escrito hoje. Uma leitura atenta do mesmo, fazendo as devidas comparações  com a sociedade desse terceiro milênio, conduzirá à certeza de que a angústia que se vive em 2012 radica no mesmo sentimento de incomunicabilidade, de exclusão, de desajuste do homem com o meio, causados pelos mesmos motivos enumerados pelo autor ou por outros semelhantes.

.

A DIFERENÇA PEDE LICENÇA!...


A sociedade é um imenso mercado, onde muito cedo as pessoas são etiquetadas e colocadas em algum lugar, sem escolha possível. O bonito, o feio, o desajeitado, o inteligente, o atrasado, o grande, o pequeno, o normal, o anormal... E julga-se, sem piedade, os fracos, os fortes, os vencedores, os perdedores, os sãos, os doentes. 
Chama-se de diferente aquele que não está na mesma linha de normalidade que a maioria do ser humano. Mas, o que é ser diferente senão o fato de não ser igual? Não somos assim, todos diferentes? Por que etiquetas, se todos trazemos em nós riquezas inúmeras, mesmo se muitas vezes imperceptíveis aos olhos humanos?
A diferença pede licença sim!! Dá-me oportunidade! Deixa-me mostrar quem sou, ao meu tempo! Deixa-me desenvolver minhas capacidades e farei florir meu deserto. Peço é oportunidade para mostrar do que sou capaz. Peço aceitação para estar no meu lugar, não o escolhido pra mim, mas aquele onde sou capaz de chegar.

28 de março de 2012

Retalhos da alma


Os conflitos mais profundos que tenho levado de tempos a tempos,
com os próprios seres ou com as circunstância da vida, têm diminuído infelizmente, a minha pureza,
obscurecido o meu alto ideal de perfeição.


Tudo o que há de censurável em mim deriva ou depende de uma perspectiva alheia a mim próprio.
Quer dizer, se fossemos seres únicos, o bem e o mal não se poriam..
São os outros a nossa pedra de toque.
E felizmente, o nosso aperfeiçoamento interior é assim obra social.
É o estarmos mergulhados numa sociedade civilizada que nos impõe padrões morais de vida.


Como será possível que sejamos nós homens os instrumentos da nossa própria destruição? 
Os gestos que se fazem, os erros que se cometem como que ficam lenta e profundamente
 a germinar até que um dia estoiram em consequências inimagináveis.

(A. de Gusmão)

22 de março de 2012

Morrer é ridículo


A morte, por si só, é uma piada pronta.
Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre.
Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta idéia: MORRER!!!
A troco?
Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente...
LEIA MAIS -->

Essa idade tão fugaz da vida da gente



"Existe somente uma idade para a gente ser feliz, somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realizá-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.
Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer.
Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor.
Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, e quantas vezes for preciso.
Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa."

(Mário Quintana)

20 de março de 2012

O que aquece a alma...

Não sei se o seu tempo na vida vai ser suficiente para você ser e fazer tudo o que deseja. Mas sei que nada do que vivemos tem sentido se não tocamos o coração das pessoas, se nossa lembrança não desperta saudade no coração dos amigos, se, quando partimos, não deixamos no outro a esperança da nossa volta.

Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que manifesta a emoção, olhar que acaricia, amor que aquece e fortalece. E isso não é coisa do outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, gostosa... enquanto durar.

Se você quer amor... Ame! Você sabe amar? Sabe respeitar o que lhe contam? Sabe ouvir sem criticar? Sabe aceitar sem restrição? Nada preenche o coração, a não ser o Amor, a Amizade. O agasalho aquece o corpo, lindas roupas o embelezam, mas o que aquece a alma, o que faz brilhar o olhar, o que dá vontade de continuar é o Amor... Só o Amor!!!

Fonte: Diabnet


18 de março de 2012

Sentimentos e Ideias.


Sentimentos não se constituem nem pela memória. Uma vez vividos tornam-se passado. E só o sentir é em nós aboluto. 
O sentimento não se pode discutir, porque nada adianta para a  nossa realidade existencial.
Podem condenar-se eticamente certos sentimentos, ou expressões do nosso sentimento. Mas, o sentimento em si é uma realidade inapagável e indiscutível. É um dado. 
Já não são assim as idéias, porque todas se podem  discutir, pois nunca se é detentor da verdade absoluta e irrefragável. Lógica e dialeticamente podem defender-se os mais evidentes absurdos. 
Os sentimentos têm a sua lógica interior, de associação e desenvolvimento, mas a nossa lógica mental é inoperante perante esse fluir inconsciente e espontâneo da nossa vida afetiva.

(A. de Gusmão)


Fragmentos de reflexões



Há horas trágicas que pertencem à noite... Hora de trevas!... 
Uma vez acordados, essas horas dramáticas de solidão já não existem...
Acordamos em renascimento. 
Somos adoradores do Sol, então.
 E a vida é para se viver com esperança e em adesão ao real quotidiano, 
iluminado e aquecido pelo nosso projeto de viver... 
(1984)
Esse tempo é como um comboio expresso
cuja marcha já não posso acompanhar...
Detenho-me então na estação e medito...  
Outra maneira de viver,
e em profundidade!



Há dias  em que coisas de certo amargor se sucedem,
então confio no "esquecimento"
que fará tudo submergir
na corrente constante da vida.



Interessa menos o saber que a capacidade de improvisação
perante as solicitações inesperadas da vida.

 

9 de março de 2012

A ARTE DE CONVERSAR

Conversar não é um exercício dialético em que uma parte deve vencer a outra...Não! Conversar é uma arte, uma prática...
Usa-se a fala não para convencer, mas para comunicar, em troca cordial, idéias ou sentimentos sobre as coisas, numa atmosfera de harmonia, onde cabe a própria fantasia...
Nem há que respeitar 'religiosamente´a verdade... A verdade se se disser, deve ser acompanhada de um sorriso...
Há que restaurar a conversação... Que já viveu no século XVIII, quando, na França, se convidava pessoas anunciando no cartão: "on cause".

O QUE É ,VERDADEIRAMENTE, IMPORTANTE


Não interessa o que escrevo ou não escrevo... A vida não é só a Obra que cada um faz ou publica. O que importa é sabermos viver cada instante do dia-a-dia, atentos ao valor humano dos nossos amigos e dos nossos conhecidos. atentos ao valor universal da Natureza, na sua dimensão estética e, ao mesmo tempo, reveladora da imensidão onde mergulhamos as nossas frágeis raizes...

Autor: A. de Gusmão. Lisboa, 23/11/80.

8 de março de 2012

O Pavão.


Crônica de Rubens Braga

Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.

Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.

Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.