[Valid RSS] [Valid RSS] [Valid RSS] Labirintos e Fascínios: Janeiro 2012

31 de janeiro de 2012

Fragmentos de um diário...

 

O tempo para mim é um fluxo contínuo - 
Não há horas, dias, meses, anos sucessivos, nada escandido... 
Só vivo a unidade primordial do viver

 

A minha vida é como rastilho,
que pegou a arder, 
queimando o tempo e o meu ser...


O futuro mais bonito 
sempre dependerá da necessidade de esquecer o passado.
Você não poderá ir adiaante na vida,
enquanto não tiver superado os erros do passado
e tudo que magoa o seu coração.


Esse tempo é como um comboio em pleno curso,
cuja marcha ligeira 
já não posso acompanhar.
Detenho-me então na estação e medito...
Outra maneira de viver e em profundidade!


A vida já não me resolverá a vida;
só a morte liquidará
esta vida imperfeita e custosa.
Entrar na morte
como um punhal se mete na bainha...
Autor: A. de Gusmão
(1985)



27 de janeiro de 2012

Neu Coração! Aguenta-te!


Sou como uma corda tensa e vertical,
cimentada na terra e perdida no céu, ressoando a tudo o que é vivo 
ou que é vida transposta para a Arte.

Meu coração! Aguenta-te!
Vida, poupa-me!

Sou um soldado para te servir fielmente como poucos,
atento a todos e aos mais ínfimos sinais
reveladores da tua presença 
 e da tua expressão.

Por toda a parte sinais de vida,
de luz, de música, de movimentos e de gestos
sendo indiferentes aos que sonharam e jamais puderam
participar desta natural e inesquecível alegria de existir!...
E é nestes instantes mais vivos que me dói a vida. 
Uma grande comoção se apodera de mim.

Há dias em que coisas de certo modo amargas se sucedem,
Então, confio no "esquecimento" que as fará submergirem
 na corrente constante da vida renovada e obscura.


(Adriano de Gusmão)

24 de janeiro de 2012

Reflexões...




Só se alcança uma filosofia pessoal,
quando se constrói um pensamento que ultrapassa
o horizonte do nosso quotidiano...

A força do meu pensamento,
quando falo, não está só na razão,
está também no meu coração.
Penso inteiro comigo mesmo: é a razão e o sentimento
tudo fundido e dirigido ao meu interlocutor.

Amo tão profundamente a vida
que esta mesma vida me dá como que o prêmio:
continuar vivendo - em alegria e em comunicação com o UNIVERSO.
É esta comunicação que me sustenta
na embriagada contemplação do quotidiano cósmico!.

*******
A. de Gusmão
Quinta do Espírito Santo. 08/07/1989

21 de janeiro de 2012

É no "agora" que a vida acontece e vale a pena !

Só há vida no presente. Acompanhe comigo este raciocínio: o passado passou. Não existe mais e nada e ninguém o fará existir. Só a nossa imaginação é capaz de viver neste tempo morto. Através dela experimentamos sentimentos que se foram, mas deixaram marcas nas nossas emoções e no nosso corpo. E é através dela que podemos limpar estes sentimentos, apagando a memória que eles deixaram.
O futuro ainda não chegou. Portanto, também não existe. Só nossa imaginação pode viver neste tempo que ainda não chegou. Portanto, não há outra alternativa a não ser:

VIVER NO TEMPO PRESENTE. ESTE É O ÚNICO QUE É VIVO, O ÚNICO QUE TEMOS.

Viver cada segundo com a intensidade de um dia todo, viver como se a vida não fosse continuar no minuto seguinte. E isso exige que estejamos presentes no momento presente. Como? Ouvindo o que acontece ao nosso redor, vendo o que se descortina sob nossos olhos, sentindo o que tudo isso causa no nosso corpo físico, mental e espiritual. Participando de cada segundo com toda a energia, como se estivéssemos nascendo naquele segundo exato com toda a nossa força direcionada para este esforço.
Fique no presente, fale no presente, pense no presente. Porque viver no passado (através das lembranças) ou no futuro (através do nosso imaginário fantasioso) é muito fácil. Mas, nada nos acrescenta.
Eckhart Tolle, em seu livro O Poder do Agora (Editora Sextante) escreve: “Os problemas são obras da mente e precisam do tempo para sobreviverem. Não podem sobreviver na realidade do AGORA. Concentre sua atenção no AGORA e diz-me que problemas você tem neste momento. Eu diria: os problemas são obras da sua imaginação, que consegue fantasiar o futuro e manter o passado vívido. Os problemas precisam do tempo (passado e futuro) para sobreviverem. Concentre toda a sua atenção no presente, no momento, no segundo em que está vivo e agora me responda:- Onde estão os seus problemas?
Podemos perceber muitas vezes pessoas que estão ao nosso redor e que, na verdade, não estão ali. Falamos, mostramos, desenhamos, fazemos analogias e quando terminamos a pessoa faz a mesma pergunta com a qual iniciou a conversa. Na verdade, as pessoas não querem estar presentes, não querem sentir o impacto que as ações causam. Querem respostas prontas, fáceis. Querem soluções mágicas sem passar por nenhum processo. Querem viver no torpor repetindo situações e sentimentos do passado ou sonhando com situações e sentimentos do futuro.
E quando não encontram estas respostas fáceis (felizmente, porque elas não existem) dão de ombros e vão em busca de outras formas de obter estas respostas fáceis. Um copo de bebida pode ser uma resposta fácil. Uma relação sexual também pode. O uso de uma droga, também pode. E depois que o efeito passar? Fuja das respostas prontas, imediatas, especialmente aquelas que você pode pagar por elas. Normalmente não tem efeito muito duradouro. São respostas ao desejo. Não são respostas para a Vontade. São respostas que tiram você do tempo e projetam todo seu ser no mundo da não ação”.

Lembremos os versos de Francisco Otaviano Paes, que dizem:

QUEM PASSOU PELA VIDA EM BRANCAS NUVENS
E EM PLÁCIDO REPOUSO ADORMECEU
QUEM NÃO SENTIU O FRIO DA DESGRAÇA
QUEM PASSOU PELA VIDA E NÃO SOFREU
FOI ESPECTRO DE HOMEM, NÃO FOI HOMEM
SÓ PASSOU PELA VIDA, NÃO VIVEU!
Tenham todos/as um luminoso, feliz e abençoado fim de semana.
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By Zenóbia Collares Moreira Cunha.

18 de janeiro de 2012

É no presente que meu ser se expande e me projeta até o infinito.


É no presente que o meu ser se expande e me projeta inteiro, me dilata até ao infinito.
Do passado, sinto, sim, saudades. Mas, o passado não me alimenta a imaginação.
Sendo raiz do presente, é  neste instante sempre que eu vivo.
Mordo e sigo só o presente.
O passado só me interessa como reserva, caminhada do saber.

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Não vivo nem quero reviver seja o que for do passado,
porque, sob o ponto de vista da economia afectiva,
está completamente gasto.
Só o presente é  fonte inesgotável de infinitos e sempre renovados sentimentos.
Nenhum controle temos sobre uma experiência vivida,
certo é que o passado é, em si, matéria morta;
só o presente é matéria viva a alimentar a riqueza do nosso fluxo psíquico.

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A imaginação não deve significar fuga ao presente,
pelo contrário, representará uma capacidade ilimitada de exploração
dos dados expressivos do presente.

(A. de Gusmão)

Desejo.


Hesitante e leve, a  tua mão deslisa 
na morna ondulação do meu corpo desnudo...
Entre os teus dedos trêmulos e a minha pele,
percorre, súbito, um delicado arrepiar de lascívia,
um tímido impulso de doce e inadiável entrega.
Na ternura insistente dos teus ousados afagos,
ecoa inaudível o convite a rodopiar contigo
na vertigem delirante do teu ardente abraço.
Vibra em crispações o meu abrasado desejo,
 na sôfrega busca da urgência dos teus beijos.
Queima-me a chama da volúpia, busco-te mais ainda
na urgência inadiável da entrega plena,
na busca da completude que só tu me dás. 
Perdemos-nos enfim, exauridos, ofegantes e mudos,
na alegria pagã  da plenitude do amor consumado.

(Zenóbia Collares Moreira Cunha)


14 de janeiro de 2012

Nem sempre escrevo o que, na verdade, "escrevo".


Nem sempre escrevo o que, na verdade, "escrevo". Presentemente, na vida mesmo, é que estou escrevendo.
A minha conduta, a minha relação humana no quotidiano é já em si mesma uma escrita, que revelará, para os atentos e lúcidos, o meu sentir e a minha filosofia de estar no mundo.
A acção consequente valerá mais que palavras bonitas e bem escritas. Mas, talvez, esta seja a escrita menos fácil e mais exigente conosco mesmo e mais pura para a civitas... E, no entanto, posso reconhecer com mágoa que alguns dos meus actos foram errados...
Sim, e estou escrevendo menos no papel que na vida. O que será mais difícil ainda...

A. de Gusmão.
Noite de 6/12/1986.


11 de janeiro de 2012

Isto é ética!


Alguém pode não saber ler ou nunca ter ouvido falar de ética, mas só será feliz se for ético. Ética não é uma condição que a gente tem de atender para agradar a empresa ou ao chefe; não é recitar códigos ou doutrinas.
Ética é o que fica da vida que levamos, das coisas que fazemos todo dia, agora; é o saldo que resta em nosso coração das ações que praticamos. Não se pode aprender ética apenas em livros ou em aulas e, menos ainda, em palestras. Ela está lá no Evangelho de Jesus: no Sermão da Montanha e em muitas outras passagens. Mas não é difícil encontrar a ética dentro de nós, saber o melhor caminho a seguir.
A felicidade de comercial não é sustentável. A satisfação dos cartões de crédito, do consumo, dos vícios ou da corrupção. A felicidade que tira dos outros, diminui muito mais de nós mesmos. Isto não é moralismo, não é pieguice, é realidade! "Ignorante" é o nome dado por Sócrates a quem ainda não sabe disso.
Todo mundo vai descobrir que o mal não vale a pena, que o egoísmo não constrói nada, só estraga, destrói. De uma maneira ou de outra vai descobrir disso. A boa vontade será a melhor maneira e a decepção, a pior.
Não precisamos sofrer tanto para aprender que a vida é muito mais ajudar e compartilhar do que competir, ferir e derrotar. Quem tem o coração cheio de amor, tem ética, naturalmente. Ética é não estar preocupado com a reputação, mas com o caráter. O comportamento espontâneo, generoso e fraterno, é ética.
Quando a ética não é uma escolha, mas um dever imposto pela consciência, isto é ética. Quando estamos empenhados em dar o melhor de nós e não em sermos os primeiros, isto é ética. Quando nos esforçamos para ter bondade e não para aparentar bondade, isto é ética. Quando o cuidado com os sentimentos dos outros lapida a dureza das palavras, isto é ética.
Quando olhamos para os outros e nos colocamos no lugar deles, quando vemos Deus nos outros, isto é ética. Quando perdoamos, deixando espaço livre na nossa memória para paisagens de ternura e humanidade, isto é ética.
Quando descobrimos uma qualidade nova em alguém que não gostamos, isto é ética. Quando identificamos em nós algum defeito e enxergamos como a vida é maravilhosa, isto também é ética.
Quando não nos vingamos de quem nos prejudicou, mesmo tento a oportunidade ideal, isto é ética. Quando olhamos os filhos dos outros como nossos próprios filhos e os empregos dos outros como o nosso "ganha pão", isto é ética.
Quando sabemos que o dinheiro, o conforto, a posição ou o status de que desfrutamos são apenas privilégios e não direitos, pois podem nos ser tirados a qualquer momento pelo infortúnio, pelo imponderável ou pela morte: isto é ética!
Quando aquilo em que acreditamos não é expresso como uma declaração de princípios, mas sai da nossa boca como poesia, isto é ética! Quando somente conseguimos conspirar pela felicidade dos outros, isto é ética.
Quando sabemos que o amor pela pedra, pelo inseto, pela planta, pela brisa e por todas as coisas, que a ação em benefício de alguém que nem conhecemos e que a gratidão pela vida são tesouros permanentes, isto é ética. 
Quando sentimos que o amor invadiu cada sílaba que pronunciamos, cada lembrança, cada gesto, olhar e tarefa, enfeitando o templo do coração com as flores do bem, isto é felicidade...
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O prof. Emerson Barros de Aguiar é Doutor em Filosofia pela Universidad de Zaragoza (Espanha), Escritor e Professor Universitário em João Pessoa (PB)
Original em: http://www.saindodamatrix.com.br/archives/l



7 de janeiro de 2012

Acredite no poder das palavras


Comece o dia com otimismo, com vontade de ser feliz.
Logo que despertar, levante-se da cana, aproxime-se da janela aberta do seu quarto, encha o peito de ar e sinta-se invadido pela paz.
Diga para si mesmo: "Todos os dias, sob todos os pontos de vista, vou cada vez melhor".
Nunca me senti tão bem como hoje.
Em dia algum encontrei-me mais alegre, disposto e sadio do que neste que agora começa.Sou feliz!
Faça assim conscientemente, com decisão, com fé, acreditando em suas palavras e no poder que elas têm. 
Feche os olhos e deixe-se envolver por esta ideia. Ela se tornará realidade no decorrer do dia. E agradeça a Deus por tudo, na certeza de que hoje é o momento mais importante da sua vida. 
Eu acredito no poder da palavra proferida! E você?


6 de janeiro de 2012

Uma coisa difícil se ser ensinada...



Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza. É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. Há quem a confunda com o bem trajar, o ser chic e ter nascido em família brasonada ou rica. Não, a elegância da qual se trata aqui independe de status social, de conta bancária e de estudos avançados.
É uma elegância desobrigada. É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que nunca vaiam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca. É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, a pessoas que fazem os serviços domésticos, a caixas do supermercado, por exemplo. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros, que evitam armar “barracos” ou cenas grosseiras em público. O assédio de qualquer espécie nunca será uma atitude elegante, da mesma forma que proferir palavrões e fazer alusões a intimidades de ordem sexual não faz parte dos hábitos de uma pessoa elegante.
É possível detectá-la em pessoas pontuais (uma raridade). Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece (elegante e inteligente), é quem presenteia fora das datas festivas, porque sente prazer em dar até mais do que em receber, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está ( este é pecado é mais comum do que se imagina). Oferecer flores é sempre elegante, pena que a maioria não cultive este gesto delicadíssimo, sempre tão prazeroso para quem as recebe.
É elegante não ficar espaçoso demais. É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer... porém, é elegante reconhecer o esforço, a amizade e as qualidades dos outros (o contrário disto nem chega a merecer o rótulo de deselegância, é bem pior, é cruel e produz um efeito devastador. É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro (não apenas é elegante, é sintoma de uma personalidade firme e consciente. É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais. É elegante retribuir carinho e solidariedade.
É elegante o silêncio, diante de uma rejeição... Aliás, é elegantérrimo! É atitude de quem se respeita e tem auto estima elevada). Não há livro que ensine alguém a ser elegante. Não, não há mesmo, em parte é da natureza do indivíduo, burilada pelo exemplo recebido na educação familiar, na conduta dos pais e no interesse de não se incluir no amplo contingente de pessoas vulgares, sem traquejo social, sem noção do respeito e da consideração que deve ter sempre com o outro, seja ele de qualquer nível social.
Eu mesma, nem sempre consigo ser tão elegante o quanto gostaria. Como a maioria, incorro em deselegâncias, levada pelo impulso do meu temperamento apaixonado, veemente nem sempre tolerante. Portanto, não estou me colocando como a elegante por excelência nem como exemplo para ninguém. Ainda tenho que percorrer muita estrada até conseguir ser uma pessoa melhor e isenta desta e de outras falhas humanas. Vigio-me, portanto! Procuro corrigir meus erros! Não abro mão do meu empenho em tornar-me um ser humano "elegante". Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura! Não é mesmo?!

E você, considera-se uma pessoa elegante? Como elabora sua auto avaliação? Que nota atribui a você mesma?