[Valid RSS] [Valid RSS] [Valid RSS] Labirintos e Fascínios: Notas Soltas e Heréticas...

3 de julho de 2012

Notas Soltas e Heréticas...



Sendo a Arte uma manifestação eminentemente social, já como produto de um meio cultural, já como objeto de consumo, o que implica ser um meio de comunicação, uma extensão da nossa própria linguagem, o seu maior alcance será obtido quanto  mais crítica for. Uma arte gratuita dirigi-se-á apenas nos sentidos do amador. Para além da fantasia e do domínio técnico, a obra apresentará o seu significado próprio explicitado.

Muito frequentemente, quando me fixo no real, de súbito, surpreendentemente, este real assume uma tal forças plástica e expressíva, como se fosse interpretada por um artista de gênio... Em toda esta gigantesca operação de debulha com fardos de feno, volumetria, tons de cores vivas e profundas, como se fora de pincéis de um grande pintor.
Os "jaunes", os marrons, os verdes duma peça de verdura ou de um jarro exaltam-se sobre o fundo do amarelo sujo dos pardais.
O interessante desta gigantesca operação de debulha está na expressividade da situação.
Não! O realismo não acabou, não está extinto!... Hoje a garra para o traduzir, que de novo a humanidade voltaria a seduzir-se pelo real, a matéria prima do nosso quotidiano.
Se se souber ver esteticamente o real, este real será sempre uma novidade.
VEJO como se ouvisse o real, a realidade... Capto sutilezas, silêncios inesquecíveis, notas vibrantes...


Cada um de nós é conforme a força mestres do nosso capricho - analítica ou impressiva. Gosto de música, sim. Sou sensível ao timbre das coisas, mas a minha força está na profundidade e riqueza do meu olhar.
Eu devia ter cultivado a arte do desenho e da pintura...

Adriano de Gusmão. Quinta do Espírito Santo/ Sapataria/ PT. 1990