[Valid RSS] [Valid RSS] [Valid RSS] Labirintos e Fascínios: Esta Natureza que me seduz e fascina!

5 de julho de 2012

Esta Natureza que me seduz e fascina!



Sim, a Lua é Natureza e tem sentido na Máquina do Mundo.. Mas o LUAR esplendoroso de uma noite calma de verão é outra coisa... É já pura criação duma divindade Poética... O Luar, como Natureza, será absolutamente inútil, sem sentido, nessa Máquina do Universo. Se, porém, é ainda Natureza, então é um luxo da Natureza... E só terá sentido para nós humanos, para os artistas e os poetas; nem para todos os homens, os práticos, por exemplo, os pragmáticos, os homens de negócios, os políticos... que nunca vivem na Lua...


Se eu não soubesse OLHAR para o que me é exterior - a Natureza, as pessoas.  e as cidades nas várias horas do dia e do ano - eu não saberia VER uma pintura ou qualquer outra obra de arte. Nem sequer saberia ler um romance ou uma poesia. (1983)


Tudo que é VIVO manifesta, ímperceptivelmente, a VIDA não pára... Vede as plantas, sobretudo as árvores. Como elas, junto ao chão, entumecem o solo, rebentam com os pavimentos, quebra m as pedras ou reservas das caldeiras que os jardineiros, por vezes, prepara à volta das raízes... Estas estão sempre a viver, a crescer, a desenvolverem-se . Cada dia que passa mal distinguimos as diferenças, mas passadas semanas ou meses, tornam-se evidentes os acrescentos, as alterações infinitesimais que se operaram ao longo do tempo. (1980).

O homem solitário na natureza, como, simples animal, nunca interrogaria acerca de seu fim último na vida. Se o faz é porque vive em sociedade. Ora a própria sociedade nos dá a resposta, que não sendo uma verdade universal, é, no entanto, uma verdade prática e útil: a de sermos prestáveis ao nosso semelhante. (1958)


A tragédia do Homem, da nossa vida, deriva de havermos violado o estatuto da Natureza. A luta pela vida existe entre todas as espécies animais. Nós somos porém um "animal" dotado de uma capacidade aterradora - a da inteligência livre. Quando mesmo construimos uma ÉTICA - ela além de ser uma 'criação´ humana limitada, pois,  nos seus parâmetros, e hoje sujeita a estas catastrofes de uma dimensão jamais experimentada na História. (1984)

Na praça, esta árvore (Tília?) muito parada, de tronco muito vertical, a copa grande como um penteado de menina antiga, preparada para um baile... Imagem irreal.  O Luar ainda faz lua cheia! Dava-lhe um ar fantamasgórico. A bela e vaidosa árvore, garanto-o, pousava para um retrato, para a eternidade... Só que de noite não  consigo fazer uma fotografia ao ar livre, duma árvore livre e algo presunçosa...


A Arte nunca se pode identificar com a Natureza, mesmo que o homem o quisesse fazer. O artista nada pode fazer do que representar a Natureza, o real, a vida: e então sim, pode submeter-se-lhe a violentá-la, segui-la ou voltar-lhe as costas.
Mas, a Natureza fica inalterável e indiferente à presença humana do artista, salvo quando este é urbanista; e a Arte agita-a nos seus limites próprios, cortada a liberdade que os modernos documentam.


Adriano de Gusmão
(In Memoriam)