[Valid RSS] [Valid RSS] [Valid RSS] Labirintos e Fascínios: Uma coisa difícil se ser ensinada...

6 de janeiro de 2012

Uma coisa difícil se ser ensinada...



Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza. É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. Há quem a confunda com o bem trajar, o ser chic e ter nascido em família brasonada ou rica. Não, a elegância da qual se trata aqui independe de status social, de conta bancária e de estudos avançados.
É uma elegância desobrigada. É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que nunca vaiam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca. É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, a pessoas que fazem os serviços domésticos, a caixas do supermercado, por exemplo. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros, que evitam armar “barracos” ou cenas grosseiras em público. O assédio de qualquer espécie nunca será uma atitude elegante, da mesma forma que proferir palavrões e fazer alusões a intimidades de ordem sexual não faz parte dos hábitos de uma pessoa elegante.
É possível detectá-la em pessoas pontuais (uma raridade). Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece (elegante e inteligente), é quem presenteia fora das datas festivas, porque sente prazer em dar até mais do que em receber, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está ( este é pecado é mais comum do que se imagina). Oferecer flores é sempre elegante, pena que a maioria não cultive este gesto delicadíssimo, sempre tão prazeroso para quem as recebe.
É elegante não ficar espaçoso demais. É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer... porém, é elegante reconhecer o esforço, a amizade e as qualidades dos outros (o contrário disto nem chega a merecer o rótulo de deselegância, é bem pior, é cruel e produz um efeito devastador. É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro (não apenas é elegante, é sintoma de uma personalidade firme e consciente. É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais. É elegante retribuir carinho e solidariedade.
É elegante o silêncio, diante de uma rejeição... Aliás, é elegantérrimo! É atitude de quem se respeita e tem auto estima elevada). Não há livro que ensine alguém a ser elegante. Não, não há mesmo, em parte é da natureza do indivíduo, burilada pelo exemplo recebido na educação familiar, na conduta dos pais e no interesse de não se incluir no amplo contingente de pessoas vulgares, sem traquejo social, sem noção do respeito e da consideração que deve ter sempre com o outro, seja ele de qualquer nível social.
Eu mesma, nem sempre consigo ser tão elegante o quanto gostaria. Como a maioria, incorro em deselegâncias, levada pelo impulso do meu temperamento apaixonado, veemente nem sempre tolerante. Portanto, não estou me colocando como a elegante por excelência nem como exemplo para ninguém. Ainda tenho que percorrer muita estrada até conseguir ser uma pessoa melhor e isenta desta e de outras falhas humanas. Vigio-me, portanto! Procuro corrigir meus erros! Não abro mão do meu empenho em tornar-me um ser humano "elegante". Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura! Não é mesmo?!

E você, considera-se uma pessoa elegante? Como elabora sua auto avaliação? Que nota atribui a você mesma?