[Valid RSS] [Valid RSS] [Valid RSS] Labirintos e Fascínios: 2012

18 de dezembro de 2012

Reflexões sobre Arte.

Se estudássemos as obras de arte apenas pelo seu assunto - pelo seu espaço temático - cairíamos em considerar apenas a Obra de Arte é algo de mais profundo. Se ilustra algo é mais a personalidade do seu criador, e daí a sua relevância espiritual, que a de qualquer tema dado, seja religioso, político ou histórico.

Tudo o que apenas teve vida imaginária, essas demoníacas ameaças na pintura do Bosch, hoje tem a mais terrível concretização. Daí agora viermos todos aterrorizados. E que querem, depois:?

Não estamos em condições históricas e sociais de criar mitos literários como os gregos. Mas é nas arte plástica que tal está a efetuar-se. Tudo o que é "monarruoso" na pinura e na escultura, aparentemente desumano, no fundo represena uma nova capacidade de criação artística.

                                          

Pelos caminhos da Arte...


A grande operação da Arte é revelar o "mistério" das coisas que nos são familiares.

A Arte , como criação, só existe quando dentro de nós se dá a projeção da realidade e a
desenvolvemos ampliando-a em inúmeras ressonâncias.

Fico como que siderado de embriaguês pela silenciosa beleza das formas, na sua concreta realidade,
no seu colorido, nos subtis jogos de luz e sombra, na sua irrefragável colocação
dentro do espaço cúbicoem que me movo e habito... (1989)

O Belo é sempre o produto final da Arte, independentemente de qualquer padrão.
O Belo surge à medida que há criação. O Belo é resultado sempre dessa criação.
Creio que Kant pressentiu isso mesmo.

Se há campo onde tudo seja movediço, inseguro, é o da Arte; todavia, as certezas dos artistas e
poetas são verdades absolutas.

Todo criativo, todo artistas, se não conviver com o real, se não observar a natureza como a  própria natureza anónima, quasi despojada da Cidade, perderá o pé nas suas pesquisas plásticas, por muita fantasia que tenha... E quanto mais imaginoso for, mais se arrisca a malograr-se.

(Adriano de Gusmão)


Esse Real que me Envolve Magicamente!...


Mau grado a minha reserva quanto ao naturalismo em Arte, o certo é que se desenvolveu em mim a capacidade de referenciar, de captar plasticamente o real.

De tal modo o comtemplo hoje (esse ral que me envolve magicamente) que dificilmente me afastaria de lhe ser fiel, porque, na verdade, sinto-me absolutamente seduzido pela realidade, seduzido pela realidade dos objetos, na sua volumetria e expressão da própria luz, conforme a hora do dia ou da noite.

E não só os objectos, a própria atmosfera, expressão do espaço que ocupo, lança-me num tal encantamento pela realidade, pela VIDA afinal do que é inorgânico que mais se parece tudo uma aparição misteriosa e milagrosa, filha mais da minha imaginação e sensibilidade, criação do meu OLHAR, que, todavia, não põe em dúvida a existência, fora de mim, desse mesmo real convincente e Belo!...

30 de novembro de 2012

A Angústia de nosso tempo, Gustavo Corção



A grande angústia de nosso tempo é um sentimento de excomunhão. Não sentindo em si uma existência própria, uma atividade própria, o homem precisa desesperadamente de um apoio exterior, muito mais, e muito mais nervosamente do que as exigências de sua natureza. Um andaime que lhe falte, ele logo se sente desvairadamente infeliz, como quem, num pesadelo, se achasse numa sala onde todo mundo se divertisse em chinês. Desajustado, não compreendendo o chinês em que os outros riem e cantam, o excluído só pode fazer uma coisa que não exige sociabilidade: chorar. E olhe lá! O resultado aí está: uma sociedade em pânico, que tudo aposta na estridência e na visibilidade; uma sociedade de aterrorizados que pisa os pobres, os pequeninos, os doentes, na fúria de atingir um estrado em praça pública, de onde possam fazer, uns aos outros, sinais febris e sem significação. 
Para a moça que se debruça ansiosa sobre um figurino, a fim de saber o que deve fazer com seus próprios cabelos; para o jovem poeta que procura qual é o nome em voga, o livro que deve ser lido e falado; para a patroa que vai à conferência; para a cozinheira que vai ao carnaval, o que importa, acima da realidade do cabelo, da poesia, do humanismo e do pandeiro, é entrar no grande palco iluminado, e pegar a deixa dos outros personagens desse drama confuso, que três bilhões de atores mal ensaiados representam, durante anos e anos, à luz da desdenhosa Aldebarã.


26 de novembro de 2012

Para o resto de nossas vidas



Existem coisas pequenas e grandes, coisas que levaremos para o resto de nossas vidas. Talvez sejam poucas, quem sabe sejam muitas, depende de cada um, depende da vida que cada um de nós levou.
Levaremos lembranças, coisas que sempre serão inesquecíveis para nós, coisas que nos marcaram, que mexeram com a nossa existência em algum instante.
Provavelmente iremos pela a vida a fora colecionando essas coisas, colocando em ordem de grandeza cada detalhe que nos foi importante, cada momento que interferiu nos nossos dias, que deixou marcas, cada instante que foi cravado no nosso peito como uma tatuagem.
Marcas, isso... serão marcas, umas mais profundas, outras superficiais porém com algum significado também. Serão detalhes que guardaremos dentro de nós e que se contarmos para terceiros talvez não tenha a menor importância pois só nós saberemos o quanto foi incrível vivê-los.
Poderá ser uma música, quem sabe um livro, talvez uma poesia, uma carta, um e-mail, uma viagem, uma frase que alguém tenha nos dito num momento certo.
Poderá ser um raiar de sol, um buquê de flores que se recebeu, um cartão de natal, uma palavra amiga num momento preciso. Talvez venha a ser um sentimento que foi abandonado, uma decepção, a perda de alguém querido, um certo encontro casual, um desencontro proposital.
Quem sabe uma amizade incomparável, um sonho que foi alcançado após muita luta, um que deixou de existir por puro fracasso. Pode ser simplesmente um instante, um olhar, um sorriso, um perfume, um beijo.
Para o resto de nossas vidas levaremos pessoas guardadas dentro de nós. Umas porque nos dedicaram um carinho enorme, outras porque foram o objeto do nosso amor, ainda outras por terem nos magoado profundamente, quem sabe haverão algumas que deixarão marcas profundas por terem sido tão rápidas em nossas vidas e terem conseguido ainda assim plantar dentro de nós tanta coisa boa.
Lá na frente é que poderemos realmente saber a qualidade de vida que tivemos, a quantidade de marcas que conseguimos carregar conosco e a riqueza que cada uma delas guardou dentro de si.
Bem, lá na frente é que poderemos avaliar do que exatamente foi feita a nossa vida, se de amor ou de rancor, se de alegrias ou tristezas, se de vitórias ou derrotas, se de ilusões ou realidades.
Pensem sempre que hoje é só o começo de tudo, que se houver algo errado ainda está em tempo de ser mudado e que o resto de nossas vidas de certa forma ainda está em nossas mãos.

(Silvana Duboc)

20 de novembro de 2012

Talvez amanhã seja tarde demais...



"Se você está bravo com alguém e ninguém faz nada para consertar a situação, conserte você.
Talvez, hoje, aquela pessoa ainda queira ser sua amiga e, se você não consertar isto, amanhã, talvez, seja muito tarde.

Se você está apaixonado por alguém, mas a pessoa ainda não sabe, diga a ela.
 Talvez hoje, aquela pessoa também seja apaixonada por você e, se você não falar isto hoje, talvez amanhã, seja muito tarde.

Se você morre de desejos de dar um beijo em alguém, então dê.
Talvez aquela pessoa também queira seu beijo e, se você não der isto a ela hoje, talvez amanhã seja muito tarde.

Se você ama alguém e acha que ela te esqueceu, então diga a ela.
Talvez esta pessoa o ame e, se você não lhe disser isso hoje, talvez amanhã seja muito tarde.

Se você precisa do abraço de um amigo, você deve pedir-lhe.
Talvez ele precise disto mais que você e, se você não lhe pedir hoje, amanhã pode ser muito tarde.

Se você realmente tem amigos, os quais aprecia, fale isto a eles.
Talvez eles também o apreciem e, se eles partem ou vão embora, talvez amanhã seja muito tarde."

(Desc. autor)



18 de novembro de 2012

Morrer em Vida é Fatal


Nunca esqueci de uma senhora que, ao responder por quanto tempo pretendia trabalhar, respondeu com toda a convicção: “Até os 100 anos”. O repórter, provocador, insistiu: “E depois?”. “Ué, depois vou aproveitar a vida”. É de se comemorar que as pessoas aparentem ter menos idade do que realmente têm e que mantenham a vitalidade e o bom humor intactos – os dois grandes elixires da juventude. 

No entanto, cedo ou tarde (cada vez mais tarde, aleluia), envelheceremos todos. Não escondo que isso me amedronta um pouco. Ainda não cheguei perto da terceira idade, mas chegarei, e às vezes me angustio por antecipação com a dor inevitável de um dia ter que contrapor meu eu de dentro com meu eu de fora. 

Rugas, tudo bem. Velhice não é isso, conheço gente enrugada que está saindo da faculdade. A velhice tem armadilhas bem mais elaboradas do que vincos em torno dos olhos. Ela pressupõe uma desaceleração gradativa: descer escadas de forma mais cautelosa, ser traída pela memória com mais regularidade ter o corpo mais flácido, menos frescor nos gestos, os órgãos internos não respondendo com tanta presteza, o fôlego faltando por causa de uma ladeira à toa, ainda que isso nem sempre se cumpra: há muitos homens e mulheres que além de um ótimo aspecto, mantêm uma saúde de pugilista. 

A comparação com os pugilistas não é de todo absurda: é de briga mesmo que estamos falando. A briga contra o olhar do outro. Muitos se queixam da pior das invisibilidades: “Não me olham mais com desejo”. Ouvi uma mulher belíssima dizer isso num programa de tevê, e eu pensei: não pode ser por causa da embalagem, que é tão charmosa. 

Deve estar lhe faltando ousadia, agilidade de pensamento, a mesma gana de viver que tinha aos 30 ou 40. Ela deve estar se boicotando de alguma forma, porque só cuidar da embalagem não adianta, o produto interno é que precisa seguir na validade. Quem viu o filme “Fatal” deve lembrar do professor sessentão, vivido por Ben Kingsley, que se apaixona por uma linda e jovem aluna (Penélope Cruz) e passa a ter com ela um envolvimento que lhe serve como tubo de oxigênio e ao mesmo tempo o faz confrontar-se com a própria finitude. 

No livro que deu origem ao filme (O Animal Agonizante, de Philip Roth), há uma frase que resume essa comovente ansiedade de vida: “Nada se aquieta, por mais que a gente envelheça”. Essa é a ardileza da passagem do tempo: ela não te sossega por dentro da mesma forma que te desgasta por fora. O corpo decai com mais ligeireza que o espírito, que, ao contrário, costuma rejuvenescer quando a maturidade se estabelece. 

Como compensar as perdas inevitáveis que a idade traz? Usando a cabeça: em vez de lutarmos para não envelhecer, devemos lutar para não emburrecer. Seguir trabalhando, viajando, lendo, se relacionando, se interessando e se renovando. Porque se emburrecermos, aí sim, Não restará mais nada. 

(By Martha Medeiros)

15 de novembro de 2012

A grande aventura da vida


Quando se volta para dentro de si, você não deixa pegadas que possam ser seguidas por alguém. 

Isso é impossível, já que o território interior de cada pessoa é tão diferente que nem as pegadas de Buda o ajudariam a seguir - se você seguir as pegadas de Buda literalmente, nunca encontrará a si mesmo.

O mapa de Jesus não vai ajudá-lo. Você não pode segui-lo literalmente. Ele pode ajudar você de maneira indireta; pode conscientizá-lo de certas coisas interiores, mas num sentido muito vago; pode lhe dar a confiança de que: "Sim, sem dúvida há um mundo interior, porque tanta gente não pode estar mentindo. Buda, Jesus, Zaratustra, Lao Tsé, Mahavira, Krishna, Maomé - esses indivíduos tão belos não podem estar mentindo. Não podem fazer parte de uma conspiração. Para quê? Eles nunca coexistiram - viveram em épocas diferentes, em países diferentes - e, no entanto, todos falam a mesma língua... "

Mas você não pode segui-los de maneira precisa, porque o território interior de Buda é diferente. Cada indivíduo é único, tanto que você têm de se descobrir sozinho - e para isso é preciso grande coragem.

Essa é a grande aventura da vida, e quem prossegue nessa aventura é abençoado. 

Osho, em "Meditações Para A Noite"


14 de novembro de 2012

Deixemos vir o tempo das mudanças


Começa cada dia por dizer a ti próprio: hoje vou deparar com a intromissão, a ingratidão, a insolência, a deslealdade, a má-vontade e o egoísmo - todos devidos à ignorância por parte do ofensor sobre o que é o bem e o mal. 
Mas, pela minha parte, já há muito percebi a natureza do bem e a sua nobreza, a natureza do mal e a sua mesquinhez, e também a natureza do próprio culpado, que é meu irmão (não no sentido físico, mas como meu semelhante, igualmente dotado de razão e de uma parcela do divino); portanto nenhuma destas coisas me ofende, porque ninguém pode envolver-me naquilo que é degradante, senão eu mesmo. 
Nunca se protele o ato de questionamento quando se é jovem, nem canse o fazê-lo quando se é velho, pois que ninguém é jamais pouco maduro nem demasiado maduro para conquistar a saúde da alma. E quem diz que a hora de filosofar ainda não chegou ou já passou assemelha-se ao que diz que ainda não chegou ou já passou a hora de ser feliz. 
Somos seres sedentos pelo crescimento, em constante e intermináveis mutações. Deixemo-nos vir, então, o tempo de mudanças... 

Autora: Jéssica C. escritora e poeta 


11 de novembro de 2012

A vida existe no viver



Quando o Rabbi Birnham estava em seu leito de morte, sua esposa explodiu em lágrimas. Ele disse: "Por que você está chorando? Toda a minha vida foi apenas para que eu pudesse aprender a morrer".A vida existe no viver. Ela não é uma coisa, é um processo. Não há nenhum modo de alcançar a vida exceto estando-se vivo, fluindo, movendo-se com ela. 

Se você está buscando o sentido da vida em algum dogma, em alguma filosofia, em alguma teologia, esse é o caminho certo para perder-se a vida e seu significado, ambos. 

Osho, em "Vida, Amor e Riso"
Imagem por Eddi 07







25 de outubro de 2012

Orvalho da vida...


Nem a tristeza, nem a desilusão,
Nem a incerteza, nem a solidão...
... Nada me impedirá de sorrir...

Nem o medo, nem a depressão,
Por mais que sofra meu coração...
Nada me impedirá de sonhar...

Nem o desespero nem a descrença,
Muito menos o ódio ou alguma ofensa...
Nada me impedirá de viver...

Mesmo errando e aprendendo,
Tudo me será favorável...
Para que eu possa sempre evoluir,
Preservar, servir, cantar, agradecer,
Perdoar, recomeçar...

Quero viver o dia de hoje,
Como se fosse o primeiro...
Como se fosse o último,
Como se fosse o único...

Quero viver o momento de agora,
Como se ainda fosse cedo,
Como se nunca fosse tarde...

Quero manter o otimismo,
Conservar o equilíbrio e fortalecer
A minha esperança...
Quero recompor minhas energias
Para prosperar na minha missão 
e viver alegremente todos os dias...

Quero caminhar na certeza de chegar...
Quero lutar na certeza de vencer...
Quero buscar na certeza de alcançar,
Quero saber esperar para poder realizar
Os ideais do meu ser...

ENFIM,
Quero dar o máximo de mim,
Para viver intensamente e maravilhosamente 
TODOS OS DIAS DA MINHA VIDA!!!

(Desc.autor)


23 de outubro de 2012

Anjos de uma só asa ...?


 Lá estava eu com minha família, em férias, num acampamento isolado e com carro enguiçado. Isso aconteceu há 5 anos, mas lembro-me como se fosse ontem. Tentei dar a partida no carro. Nada. Caminhei para fora do acampamento e felizmente meus palavrões foram abafados pelo barulho do riacho. Minha mulher e eu, concluímos que éramos vítimas de uma bateria arriada. Sem alternativa, decidi voltar á pé até a vila mais próxima e procurar ajuda. Depois de uma hora e um tornozelo torcido, cheguei finalmente a um posto de gasolina. Ao me aproximar do posto, lembrei que era domingo e é claro, o lugar estava fechado. Por sorte havia um telefone público e uma lista telefônica já com as folhas em frangalhos. Consegui ligar para a única companhia de auto socorro que encontrei na lista, localizada a cerca de 30km dali. — Não tem problema, disse a pessoa do outro lado da linha, normalmente estou fechado aos domingos, mas posso chegar aí em mais ou menos meia hora. Fiquei aliviado, mas ao mesmo tempo consciente das implicações financeiras que essa oferta de ajuda me causaria. Logo seguíamos eu e o Zé, no seu reluzente caminhão-guincho em direção ao acampamento. Quando saí do caminhão, observei com espanto o Zé descer com aparelhos a perna e a ajuda de muletas para se locomover. Santo Deus! Ele era paraplégico!! Enquanto se movimentava, comecei novamente minha ginástica mental em calcular o preço da sua ajuda. — É só uma bateria descarregada, uma pequena carga elétrica e vocês poderão seguir viagem, disse-me ele. O homem era impressionante, enquanto a bateria carregava, distraiu meu filho com truques de mágica, e chegou a tirar uma moeda da orelha, presenteando-a ao garoto.Enquanto colocava os cabos de volta no caminhão, perguntei quanto lhe devia. Oh! nada - respondeu, para minha surpresa. — Tenho que lhe pagar alguma coisa, insisti. — Não, reiterou ele.
Há muitos anos atrás, alguém me ajudou a sair de uma situação muito pior, quando perdi as minhas pernas, e o sujeito que me socorreu, simplesmente me disse. — Quando tiver uma oportunidade — passe isso adiante! 

Somos todos anjos de uma asa só.
Precisamos nos abraçar para alçar vôo


17 de outubro de 2012

Solidão




Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar,
passear ou fazer sexo... Isto é carência.

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela
ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade.

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às
vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos
impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida. .. Isto é um
princípio da natureza.

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é
circunstância.

Solidão é muito mais do que isto.

Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão
pela nossa alma....

Francisco Buarque de Holanda


16 de outubro de 2012

Evite a filosofia e mergulhe na poesia



Lembre-se sempre que, se o mistério de sua vida continuar a se aprofundar, então você estará na trilha certa.

Se começa sentindo que não há nenhum mistério na vida e você se torna instruído, está no caminho errado.

Evite a filosofia e dê um grande mergulho na poesia. Seja tanto quanto possível um poeta - porque o místico é o crescimento do poeta.

O poeta está a caminho de ser um místico, e só um poeta pode ser um místico. 

Osho, em "A Revolução: Conversas Sobre Kabir"


3 de outubro de 2012

A vida é poesia

A vida é um caso de amor, é poesia, é música. Não faça perguntas feias como: qual é o propósito? Porque no momento em que você pergunta isso, você se desconecta da vida. A vida não pode ser interligada por questões filosóficas. A filosofia precisa ser deixada de lado.

Osho, em "Não-Pensamento do Dia",
no site www.osho.com


Crença na poesia 

O amor é a única poesia que existe. Todas as outras poesias são apenas um reflexo dele. A poesia pode estar no som, pode estar na pedra, pode estar na arquitetura, mas basicamente esses são todos reflexos do amor, captados em diferentes veículos.
Mas a alma da poesia é o amor, e aqueles que vivem o amor são os poetas reais. Eles podem nunca escrever poemas, podem nunca compor uma música, podem nunca fazer algo que normalmente as pessoas consideram como arte, mas aqueles que vivem o amor, que amam completa e totalmente, esses são os poetas reais.
A religião é verdadeira se ela criar o poeta em você. Se ela matar o poeta e criar o pretenso santo, ela não é religião: é patologia, um tipo de neurose vestida com termos religiosos.
A verdadeira religião sempre libera a poesia, o amor, a arte, a criatividade em você, ela o deixa mais sensível. Você pulsa mais, seu coração tem uma nova batida, sua vida não é mais um fenômeno monótono e trivial. Ela é uma constante surpresa, cada momento abre novos mistérios.
A vida é um tesouro inesgotável, mas somente o coração do poeta pode conhecê-la. Não acredito em filosofia, não acredito em teologia, mas acredito na poesia.

Osho, em "Osho Todos os Dias - 365 Meditações Diárias"


1 de outubro de 2012

Sinto estar perdida e salva ao mesmo tempo.


Fomos criados para sermos independentes. Passamos dias editando nosso plano de independência, mas às vezes parece-me perigoso quando este plano se torna extremo. Claro, não é uma construção de um dia, mas de todo um processo de  crescimento/dogmas/crenças/etc. Senão, vejamos alguns "pensamentos hereditários" : 
1) Nascemos sós e assim morreremos;
2) é preciso confiar desconfiando;
3) não existem amigos que estarão ao seu lado sem interesse ;
4) se quiser alguem em quem confiar, confie somente em si mesmo; 
5) ..blablabla.

Cria-se a ideia de que quanto mais distante ou quanto mais armaduras você tiver, melhores serão os resultados, pois arriscar é atitude para os "desesperados/tolos/despreparados". Como estava dizendo, acabamos nos tornando individualistas como instinto de defesa, quando na verdade, muitas vezes não há ataque nenhum para "revidarmos". É uma guerra gratuita em que os únicos perdedores somos nós mesmos.

O individualismo extremado nos leva à solidão. A solidão é mais do que o sentimento de querer uma companhia ou querer realizar alguma atividade com outra pessoa não por que simplesmente se isola mas por que os seus sentimentos precisam de algo novo que as transforme (wikipedia). a) Quantas vezes temos a companhia de várias pessoas e ainda assim mantemos a sensação de solidão? Não há sensação melhor do que quando abrimos o corpo e coração para o mundo. Claro, corremos o risco de sermos traídos, enganados, etc. Mas ainda assim vale a pena, por várias razões. Digo apenas duas.

1. O peso da culpa, da impotência, da limitação e da pobreza de espírito tem um preço que o meu espírito não consegue pagar. É mais fácil cair e levantar, do que carregar este peso no corpo e na alma. É mais fácil andar com a cara limpa, sujar e lavar novamente, do que andar pintado e sentir a dor da mistura da pintura no corpo do "ser real".
2. As sensações são livres; os caminhos são livres..os sentidos são livres..você já olhou pro mundo com o coração aberto? para o mar? ..nem falo de outras sensações corpóreas como o abraço despreocupado se o outro está munido de alguma arma ou pronto para o ataque quando for estender o braço.

b) Mas também, Quantas vezes estamos sós e ainda assim mantemos a sensação de companhia?

Existem pessoas que mesmo que não morem na sua casa, transmitem a sensação de companhia. Companhia não é sensação física. Há pessoas que apesar de estarem ao lado, a única sensação que nos passa é a corpórea. Há pessoas que estranhamente te acompanham em silêncio e até ocupam um pedacinho de você. Isto acontece quando menos esperamos, mas nunca quando estamos fechados. Pois ao selecionar tanto o que deve ou não entrar pela armadura, acabamos perdendo a mágica, aquela sensação do simples. E nada se compara à sensação do que é simples.

O mundo se abre para quem está aberto. Abrem-se as portas e mais um céu para os nossos dons... Quem ganha, mesmo, somos nós.

Autora: Jéssica C. escritora e poeta


23 de setembro de 2012

A lógica da vida



Várias vezes, a maior parte de nós deseja tomar uma atitude diferente da que geralmente toma em muitas situações da vida. Nem sempre, no entanto, as coisas saem como planejado.
Maturidade reflete controle impreciso sobre si mesmo. Mas quem dirá que não se trata de um hábito de reações naturais, em que o que antes era temeroso ou estranho, passa a não importar mais. Não se trata só de sinônimo da vida adulta, mesmo porque isso pode significar muitas e muitas coisas diferentes.
Acreditamos em verdades. Mas ao pensar que se trata de uma questão aberta, em que muitos profetizam qual o caminho a ser seguido, taxando-o de"certo ou errado", como se houvesse fórmula universal perfeita para todos os humanos, facilmente veremos que "a tal verdade" não existe. Ouso em dizer que não existe sequer este certo e errado, e imagino que agora vc deve estar criando um pensamento de "o que acabei de ler está certo/errado". Pois é, não é fácil nos distanciar do julgamento.
Sinceramente, a ausência de regras é muito atraente. Pessoas que possuem uma lógica própria e não simplesmente aquela estampada em livros de psicologia. O ser humano é diversidade. As pessoas tendem a distanciar do diferente por receio de que o "desconhecido" venha a dar um bote quando menos esperar.
Ontem, disseram-me que percebemos que gostamos de alguém, não por suas qualidades, mas por seus defeitos. O pior é que isto não é insano. Senão, vejamos: existem certas características que somos extremamente intolerantes, mas sempre existirá aquela(s) pessoa(s) que tem tantos defeitosquanto você, mas isto não se torna o cerne do relacionamento, não se trata de ser apenas suportável, mas, simplesmente, você tem paciência (de entender ou seja lá o quê) e principalmente existe a sintonia de trocas . Sintonia, pela necessidade de algo compatível, e troca, pela necessidade decrescimento mútuo. Aquilo que não lhe acrescenta e não permite que você acrescente, não merece que lhe façamos parte = Reunindo todas essas característica, dá-se o que eu chamo de amizade, que por sinal é a base de todos os tipos de relacionamento.
A lógica da vida é essa simplicidade de permitir agir de acordo com seus princípios. Até porque, na real, não existe conceito absoluto, somos e sempre seremos uma obra interminável, em constante construção. Então, nos permitamos errar, sem essa presunção de perfeição, até porque, se o objetivo é alcançar a perfeição, certamente, a natureza humana não seria o bioma mais adequado para sua consecução .

Jéssica C. escritora e poeta


18 de setembro de 2012

Ah! Este envelhecer bendito!


“Quando a velhice é vivida
Sob a luz do bem, que é o sol,
O entardecer de uma vida
Tem lampejos de arrebol!”
(Walter, Waeny, 1994)

Envelhecer explodindo de vida, alimentando-se do prazer. Envelhecer com os amigos, com os vizinhos, sem importar-se muito com o dogma e a sombra do preconceito. Envelhecer na santa paz de Deus, com a genética que Ele nos deu, envelhecer com Fé. Fé, paciência divina, que sustenta o espírito e faz da alma um menino travesso, sapeca e feliz... Fé de um guerreiro e de um aprendiz.
Envelhecer com a saliva e o paladar presentes na boca, com as lágrimas banhando os olhos, com a pele bronzeada pelo sol e pela lua, envelhecer com um sorriso largo no rosto afável, envelhecer como o bem que se quis, enxergando-se à frente do nariz.
Envelhecer não é tão doloroso assim. Para alguns é o fim do mundo, e eu me pergunto: - O mundo tem fim? Envelhecer é ganhar do tempo o tempo exato e lapidado para saber aproveitar, compartilhar, multiplicar todas as belezas e obras do sol nascente. Por que a sua idade mente?
Envelhecer é fazer da abobrinha o prato do dia e do açúcar a festa de domingo. Envelhecer é comer pela manhã, exercitar o corpo à tarde e relaxar ao anoitecer. É ir a praia, ao mercadinho, é ver novela, é ir ao cinema, ao shopping, é estar perto do que temos direito, é ser livre, é valorizar a pátria das células, o sangue que transita nas veias, e controlar a oxidação dos tecidos. Envelhecer é trazer no peito a medalha dos filhos, dos netos, dos bisnetos... é ver a cegonha várias vezes por ano, milhares de vezes sobrevoando o céu. Envelhecer é dar o colo confortável, o ombro, o abraço, o beijo apaixonado na face de um mimo querido. Saber envelhecer é qualquer carinho!
O que são as doenças? Elas dão na gente e não nas pedras, dizia a minha avó. Nunca escolhe o dia mais certo ou o mais errado para chegar e nem mesmo bate a nossa porta como uma convidada exemplar. Doença é coisa de velho... você tem certeza do que fala ou pensa???. Cuidado com a sua crença.
O controle da mente, a vontade de existir, a mão firme mesmo que frágil, um dia menos triste, espanta qualquer vírus, nos livra da maca, do convênio e da emergência.
Envelhecer é estar de bem com as árvores, é ver o pássaro colorido, é respeitar o tempo da felicidade, é gostar-se como se gosta dos amigos. Envelhecer é cantar, dançar, acreditar na sabedoria. Envelhecer é algo que me anima, possui ritmo e melodia. É experimentar prazeres e galgar descobertas.
Ah, este envelhecer transformou-se em arte, Van Gogh, Monet, Sinatra. Envelhecer é dar bombom aos netos, é brindar a tecnologia. Meu avô, minha avó... Velhos amados, que eu pude ter. Estar velho, antigo, idoso seja qual for o nome dado, importa muito pouco o rótulo. Importa muito mais a garantia de vida. Os hormônios, a atividade física, são recursos que podemos optar sem desmerecê-los. O sexo está no desejo e devemos a ele saciar.
Amigos, aproveitem, envelheçamos sem preconceitos, quero vê-los na casa dos 90 com os nossos 30, 40, 50 e etc. Quero estar onde vocês estiverem, com ou sem rugas, com ou sem cabelos brancos, mas repletos de paz e alegria! A vida não se aprende nas cartilhas, ela está em nossas mãos! Envelhecer exige acima de tudo perseverança e muita paixão.

Autor: Andréa Abdala


17 de setembro de 2012

A Idade e a Mudança - Lya Luft


Certa vez, participei  de  um evento sobre  o Dia  da Mulher. Era  um 
bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades.   E por falar em  idade, lá  pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela,respondi. Foi um momento inesquecível… A plateia inteira fez um ‘oooohh’ de descrédito.   Aí fiquei pensando: ‘pô,  estou neste auditório  há quase uma hora exibindo minha inteligência,  e a  única  coisa que provocou uma reação  calorosa  da mulherada foi  o fato de eu não  aparentar a idade que tenho? Onde é que nós estamos?
Onde não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado ‘juventude eterna’. Estão todos em busca da reversão do tempo.
Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas. Há outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas mesmo em idade avançada.
A fonte da juventude chama-se “mudança”.
De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora. A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas. Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos. Mudança, o que vem a ser tal coisa?
Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda para um bem menorzinho. Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu.
Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos. Rejuvenesceu.
Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol. Rejuvenesceu.
Toda mudança cobra um alto preço emocional. Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza. Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face.
Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna. Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho… Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.

Olhe-se no espelho…

As pessoas são responsáveis e inocentes em relação ao que acontece com elas, sendo autoras de boa parte de suas escolhas e omissões.”
Lya Luft


15 de setembro de 2012

Esquecemos o caminho do coração


O problema com o homem moderno é que esquecemos a linguagem do silêncio, esquecemos o caminho do coração.

Esquecemos completamente que há uma vida que pode ser vivida por meio do coração.

Somos muitos presos à cabeça, e porque estamos demais na cabeça não fazemos qualquer sentido na expressão do amor.

Isso torna-se cada vez mais problemático. 
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Osho, em "The Dhammapada The Way of the Buddha


13 de setembro de 2012

Além da linguagem



Tudo o que é grandioso está além da linguagem.

Quando existe muito a dizer, é sempre difícil dizê-lo. Somente pequenas coisas podem ser ditas, somente trivialidades podem ser ditas, somente o mundano pode ser dito.

Sempre que você sente algo transbordante, é impossível dizê-lo, porque as palavras são muito estreitas para conter algo essencial.

Palavras são utilitárias, boas para o dia-a-dia, para as atividades mundanas. Elas começam a ficar limitadas quando você se move além da vida comum. No amor não são úteis, na prece se tornam completamente inadequadas.

Tudo o que é grandioso está além da linguagem, e, quando você descobre que nada pode ser expresso, então você chegou, então a vida está repleta de grande beleza, de grande amor, de grande deleite, de grande celebração.

Osho, em "Osho Todos os Dias – 365 Meditações Diárias"


28 de agosto de 2012

Torne-se seu próprio guia interior


Não pense com a cabeça. Realmente, não pense de maneira alguma. Apenas mova-se. Tente isso em algumas situações.
Será difícil, porque o velho hábito será de começar a pensar. Você terá que estar alerta : não pensar, mas sentir interiormente o que está vindo à mente.
Você pode ficar confuso muitas vezes porque você não será capaz de saber se isso está vindo do guia interno ou da superfície da mente. Mas logo você conhecerá o sentimento, a diferença.
Quando alguma coisa vem do âmago, parte do seu umbigo para cima. Você pode sentir o fluxo, o calor, vindo do umbigo para cima. Sempre quando sua mente pensa, isso é só na superfície, na cabeça, e então vai para baixo.
Se sua mente decidiu algo, então você precisa forçá-lo para baixo. Se seu guia interior decide, desse modo alguma coisa borbulha em você. Isso procede do núcleo mais profundo de seu ser em direção a mente. A mente o recebe, mas isso não é da mente. Isso vem do além – e é por isso que a mente fica assustada com isso. Isso é confiável porque vem de trás – sem qualquer razão, sem nenhuma prova. Isso simplesmente borbulha.
Sempre quando você fica perplexo numa situação e você não pode ver como sair disso, não pense; apenas fique num profundo não-pensar e permita seu guia interior lhe guiar. No princípio você se sentirá receoso, inseguro, mas logo, quando você chega cada vez a conclusão certa, quando você chega cada vez a porta certa, você irá reunir coragem e se tornará confiante.
Se essa confiança acontecer, chamo isso de fé. Essa é realmente a fé religiosa – a confiança no guia interior. Racionalizar faz parte do ego. É você acreditando em si mesmo. No momento que você for fundo dentro de si mesmo, você chegou na própria alma do universo.
Seu guia interior é parte da direção divina. Quando você a segue, você segue o divino ; quando você segue a si mesmo, você está complicando as coisas, e você não sabe o que está fazendo. Você pode pensar que você é muito sábio. Você não é.
A sabedoria procede do coração, não do intelecto. Sabedoria procede do seu ser mais profundo, isso não é da cabeça. Corte sua cabeça, fique sem cabeça – e siga o ser, o que quer que, para onde quer que isso lhe conduza. Mesmo que isso lhe leve para o perigo, vá para o perigo, porque esse será o caminho para você e seu crescimento. Através desse perigo você irá crescer e tornar-se maduro

Osho, em "The Book of Secrets"
Imagem por ruurmo

26 de agosto de 2012

Aprendi a intuir caminhos certos


“Acertei o caminho não porque segui as setas, mas porque desrespeitei todas as placas de aviso”. Achei curioso eu usar essa metáfora sem nem ao certo saber o que queria te dizer com isto.

Perceba quanta falamos para o outro, querendo dizer na verdade para você mesmo. Porque eu jamais chegaria aonde cheguei se só andasse em linha reta. Tive que voltar atrás, andar em círculos, perder dias, perder o rumo, perder a paciência e me exaurir em tentativas aparentemente inúteis pra encontrar um quase endereço, uma provável ponte: a entrada do encontro.

 Você tão ocupado com seus mapas, tão equipado com sua bússola, demorou tanto, fez sinais de fumaça e não veio. Você simplesmente não veio. Aprendi a intuir caminhos certos, a confiar nos passos, a desconfiar dos atalhos. Porque eu estava do outro lado e só. Mas caminhava. E você estava absolutamente equipado com seu peso. E impedido de andar por seus medos.

(Clarice Lispector)

23 de agosto de 2012

EU NÃO EXISTO SEM MIM


"Vinha passando pela vida sem me dar conta do quanto ela era importante pra mim. Eu me lembro que eu não sentia absolutamente nada, apenas deixava o tempo deslizar pelos meus dias... De repente, como por encanto eu descobri que eu existia, à partir daí tudo mudou.

Descobrir que eu não existo sem mim me fez pensar pra dentro, me enxergar como eu realmente sou e não como eu imaginava que eu fosse...

Às vezes passamos um tempo vivendo a vida que os outros traçaram para nós, assim sendo, não existimos.

E apesar de nunca ter me perdido, passei tempo demais para saber onde eu estava, por isso agora eu me procuro todos os dias... Quero estar sempre presente em mim!

Eu amo tanto a minha vida que, acho que se um dia eu tiver que parar de viver eu vou morrer!

By Marineide Dan

18 de agosto de 2012

Permitamos sermos livres



Então eu estou aqui
E você também
Me permita ser o seu espelho esta noite 
Como quem sabe no fundo 
Que não há distância neste mundo 
Pois somos todos uma só alma 
Somos livres e não possuímos 
as pessoas 
Temos apenas o amor por elas 
e nada mais
E é preciso ter coragem para
ser o que somos sustentar 
uma chama no corpo sem deixar 
a luz se apagar 
É preciso recomeçar no caminho 
que vai para dentro 
vencendo o medo imaginado 
assegurar-se no inesperado 
confiando no invisível 
desprezando o perecível 
na busca de si mesmo
Ser o capitão da nau
no mais terrível vendaval 
na conquista de um novo mundo 
mergulhar bem fundo 
para encontrar nosso ser real 
E rir pois tudo é brincadeira 
Que cada drama é só nosso 
modo de ver
A vida só está nos mostrando
Aquilo que estamos criando
Com nosso poder de crer

Luís Antônio Gasparetto