[Valid RSS] [Valid RSS] [Valid RSS] Labirintos e Fascínios: Dezembro 2011

31 de dezembro de 2011

Nada acontece por acaso




"Basta você acreditar que nada Acontece Por Acaso!!!
Talvez seja por isso que você esteja agora lendo essas linhas...
Tente observar melhor o que está a sua volta.
Com certeza alguns desses sinais já estão por perto, e você nem os notou ainda.
Lembre-se que:
O universo sempre conspira a seu favor quando você possui um objetivo claro e uma disponibilidade de crescimento."

(Paulo Coelho)


30 de dezembro de 2011

Um infalível segredo de sobrevivência


Certa vez li no blog “Comentando o Comentado” um enunciado que me chamou a atenção justamente porque eu estava atravessando um momento delicado e difícil que me deixava com um humor alteradíssimo. Aquela advertência acerca da melhor forma de sobreviver à tempestade funcionou maravilhosamente bem. Conservei o humor e, sem esbravejar, sobrevivi. Hoje, veio-me a idéia de divulgar e comentar o milagroso enunciado. Ei-lo:

A vida é complicada e cheia de contratempos. Conservar o humor é um segredo de sobrevivência.” 

Conservar o humor não apenas é fundamental para a nossa sobrevivência como faz bem à nossa saúde e às pessoas que convivem conosco. Todavia, eu acrescentaria um outro elemento tão essencial quanto o humor para a sobrevivência e manutenção do nosso equilíbrio emocional e da nossa harmonia interior: saber silenciar nos momentos certos.
Sim, porque o silêncio é uma força imensurável, é uma arma poderosa capaz de levar ao desespero os que, por carência deste fundamental humor, do qual fala o enunciado, fazem da agressividade a válvula de escape e a única linguagem para expressarem as suas frustrações mais dolorosas e mais profundas, quiçá inconscientes e, em alguns casos, com raízes bem fincadas no terreno movediço da inveja, do despeito e de outros sentimentos torturantes para quem os sente.
Se os encaramos munidas com o bom humor e com a prodigiosa arte de silenciar, iremos recolhendo o que nos dizem e fazem de positivo os bem humorados e de bem com a vida, limitando-nos a sorrir, complacentemente, para o que os mal humorados, insatisfeitos com a pobreza das próprias conquistas nos dizem e fazem de negativo e de execrável.
Há muito aprendi que, se permanecermos em silêncio, frente ao mal que intentam contra nós, mostramos que estamos indiferentes, sem tempo para debates fúteis.
Se for uma discussão que deixou o terreno da razão, quem silencia mostra que já venceu, mesmo quando o outro lado insiste em gritar, em espernear. 
Se isto acontecer, mesmo que o outro do grito passe ao berro, não se altere, não perca seu bom humor, apenas OLHE,
SORRIA, 
SILENCIE E
VÁ EM FRENTE.



Caminho

                         
Caminho

Ah, ter a evidência ofuscante
Do milagre que somos:
Chama do silêncio
Delírio sem vertigem

Desejo te amar... demais... e tanto!
Sobre a tua água
A escorrer-me agora... pelo corpo
Praia deserta... desabitada...
Sombra nua do meu adiado desejo

Nela lavo-me, purifico-me
busco um tempo anterior à vida

Aprendemos a verdade... juntos? Onde?
Na transparência oculta de cada gota, talvez....
Talvez na noite orvalhada
no limiar de um tempo perdido,
no deslumbramento da vidaque não vivemos

No recomeço do começo
no esplendor ofuscante da madrugada
desabrocha translúcida a flor da comunhão...

Na seiva sôfrega dos lábios amantes
os teus e os meus...
E, num palpitar de fôlego exausto
descobrimos o caminho da plenitude...

Chegamos.
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Autora: Zenóbia Collares Moreira

29 de dezembro de 2011

O que fizeram do Natal ?

                                                            

NATAL

O sino toca fino.
Não tem neves, não tem gelos.
Natal.
Já nasceu o deus menino.
As beatas foram ver,
Encontraram o coitadinho
(Natal)
mais o boi mais o burrinho
e lá em cima
a estrelinha alumiando.
Natal.
As beatas ajoelharam
e adoraram o deus nuzinho
mas as filhas das beatas
e os namorados das filhas
foram dançar black-bottom
nos clubes sem presépio.
  (Carlos Drummond )

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) apresenta neste poema um Natal sem gelo e sem neve, um Natal bem à moda do século XX, no qual a data em que se celebra o nascimento de Jesus já está despojada de sua sacralidade, distanciando-se muito da tradição de outrora.

O nascimento de Cristo há muito deixou de ser o principal motivo das comemorações. O sentido religioso desapareceu das confraternizações familiares, Papai Noel, defendido pelos vendilhões do comércio, passou a ser o foco. Claro! O velhinho alavanca as vendas de presentes, dá lucros imensos!!!

 Até Papai Noel perdeu o mistério e o encanto que tinha na minha infância! O que fizeram do Natal é esta saudade que sinto da época em que festejavam o aniversário de Cristo, da Missa do Galo, dos presépiuos armados na sala, das comidinhas caseiras, belas rabanadas e aquela festança de tios, primos, nossos pais e avós...




Vaga-lumes quiescentes

O meu deslumbramento com os vagalumes remonta à minha infância, quando eu era apenas uma menininha muito ensismemada, sonhadora e dada a devaneios extraordinários, capazes de metamorfosear a realidade palpável em outras realidades fantásticas! Talvez por causa desse meu pendor para dar rédeas soltas ao meu imaginário, tenha me interessado pelos vagalumes. Eu me tornara verdadeiramente fascinada por aquelas luzinhas voadoras que apareciam em todas as noites do verão, trazendo magia e mistério ao meu cismar de criança solitária.
Sentadinha num toco de árvore derrubada, na quietude daquele recanto do jardim, envolvida no perfume dos bugaris, angélicas e jasmins, tão bem cuidados pelas mãos amorosas da minha avó, eu observava aqueles seres pequeninos que desafiavam minha capacidade de decifrar o mistério que encerrava o seu piscar no negrume da noite, ponteando o espaço com focos luminosos, parecendo estrelinhas cadentes que, fugidas do céu, vinham brincar no jardim da casa da vovó.
Hoje, sem áreas verdes aos arredores das casas, nas noites de verão já não aparecem vagalumes, como soia acontecer no tempo em que eu era criança. Também eu já não teria os jardins perfumados da vovó, estes jazem sob um prédio, construído sobre aquele espaço mágico. Já não sonho como sonhava nos meus outroras, já não me imagino um vagalume, voejando pelos jardins, rivalizando com a luminosidade das estrelas! Com poderes de iluminar o mundo ao meu redor com a minha própria luz, rompendo as sombras, dentro e fora de mim, com o meu milagre luminescente... Os sonhos das crianças, às vezes, assumem proporções gigantescas, ignoram os limites do impossível, avizinham-se do absurdo fantástico!
Estas lembranças, tão poéticas e felizes, ressurgiram em meu espírito depois que, no ano passado, tive a grata surpresa de encontrar, casualmente, um texto estupendo, escrito por uma bióloga, inspirado na luz dos vagalumes. Fiquei perplexa com a sensibilidade e a força poética da autora, especialmente por ser uma pesquisadora de uma área do conhecimento tão distanciada do universo da poesia. Lembrei-me então de Fernando Pessoa e dos seus principais heterônimos, Ricardo Reis ( um médico), Álvaro de Campos (um engenheiro), Alberto Caeiro (um camponês, com poucos estudos) e ele mesmo, um homem de vasta cultura que nunca concluíra o curso de letras. Então compreendi que o dom da poesia independe da profissão ou do grau de estudos do poeta. Entendi que quem é poeta, já nasce com a essência da poesia decalcada na alma, à espera apenas do momento propício, no qual as palavras irão saltar da sua sensibilidade para a perplexidade do papel em branco, na forma de versos estupendos ou de uma magnífica prosa poética, como a que nos oferece o texto “Vaga-lumes quiescentes”, da autoria da Dra. Maisa Splendore Della Casa, professora e pesquisadora na área da Biologia, da USP.


Vaga-Lumes Quiescentes

“A intensidade da luz da alma recolhe-se timidamente no breu do que sou ou tento ser. Luzes ao redor, luzes pobres disfarçadas na ausência da escuridão, o intenso é sentir a escuridão do sol e a clareza da noite.
Se não tenho luz própria, devo viver de dia, gozar da claridade da natureza, pois ao meio a meus disfarces, não preciso provar que tenho luz própria, nem sei se a tenho, está de dia. Ninguém reconhecerá.
Caso a luz não se faça presente, não devo aparecer na noite, ou assumo minhas formas sombrias e me mantenho no anonimato da pez ou incorporo a oxidação biológica dos vagalumes permitindo que a energia química seja convertida em luminosa.
Defendo-me. Defendo-me ou caço. Serei caçador de mim, dos meus vestígios de luz quiescentes, para depois, iluminar o resto da alma sombria e, aí sim, vagaluminarei pela noite de mim mesma.”


É realmente extraordinária a sensibilidade de Maísa Splendore Della Casa. A sua visão poética, incidindo sobre um pequeno ser da natureza, objeto dos seus estudos é tão maravilhosa quanto a sua capacidade de transformar em poesia o fenômeno da luminescência dos vagalumes, tomado, inclusive, como metáfora do seu próprio ser.
O que seria de nós sem a poesia, sem os poetas e a sua especialíssima visão do mundo?!