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14 de novembro de 2016

A tirania do sonho de juventude e beleza...



Vivemos em uma sociedade que valoriza imensamente a juventude e a beleza, diminuindo o valor da falta delas, ou seja , desvalorizando a velhice. 

Numa sociedade altamente consumista como a atual , a juventude deve ser perpetuada a qualquer custo, lançando-se mão para isso de tudo o que possa existir no mercado do rejuvenescimento, sem regras, que prometa a eterna juventude.

É verdade que no mundo da fantasia tudo e todos podem ser como se queira que sejam. Assim, geralmente não se espera que tal promessa de eterna beleza seja mesmo verdadeira, mas que simplesmente leve a pessoa ao mundo da fantasia e do faz de conta, que pode dar credibilidade até mesmo ao mais desconfiado dos seres vivos que vivam preocupados com a questão do envelhecimento.

Há bem menos de cinqüenta anos atrás, uma jovem tinha como meta de beleza conseguir manter-se bela e desejável pelo menos até a chegada do primeiro filho. Diga-se ainda que isto era mesmo o máximo de sonho que ela poderia Ter quanto à sua questão estética. Tampouco era esperado mais que isso para ela, salvo raras exceções em que fosse financeiramente estável e pudesse contar com a ajuda de pessoas que a ajudassem na trabalhosa dedicação ao “ser bela”.

Hoje, uma garota de quinze anos já sabe muito bem qual o “defeito”, “problema”, “falta”, excesso” ou outras coisas mais, que quer corrigir em seu corpo ainda de menina, que já se acha mulher. Em plena idade de despedir-se de suas bonecas de vez, a menina-moça, como era chamada há muito tempo, tem que se preocupar em agradar ao mundo da beleza obrigatória e corresponder ao bendito padrão de beleza, todos tão essenciais para se ser feliz nos dias atuais. É exatamente esse o pensamento vigente na maioria das cabeças das tantas adolescentes existentes neste nosso mundo de hoje.

No lugar de fadas e histórias de amor, ela carrega como sonho Ter um bom personal trainner, um bom dermatologista, um bom cabeleireiro, uma boa grife para vestir e um bom cirurgião plástico. É evidente que se uma garota tem orelhas de abano que a impedem até mesmo de usar um gracioso “rabo de cavalo” nos cabelos, fazer uma cirurgia corretiva pode até mesmo fazer-lhe muito bem. Não estou referindo-me ao problema real, mas sim ao problema que existe apenas na ótica da própria pessoa.

Realmente a busca pela eterna beleza é coisa que vem de muito longe na história da humanidade, porém, nunca se deu tanta atenção a isto como nos dias de hoje. Parece até mesmo descabida a preocupação para com a aparência, como se ser belo e jovem fizessem realmente toda a diferença na vida das pessoas. Esquecem-se elas, no entanto, que se a beleza hoje em dia é fundamental, outros tantos fatores também são extremamente importantes para que uma pessoa se dê bem na vida. Isto é, há outros fatores que fazem toda a diferença na vida de uma pessoa, seja ela jovem ou não.

Mas , nossa sociedade tão necessitada de um consumo desenfreado, tenta embutir nas pessoas a idéia de que para ser feliz é preciso fazer... fazer academia, fazer tratamentos mil, fazer plástica reparadora. Que para ser feliz é preciso ser sempre jovem, corrigindo, de tempos em tempos, as linhas que esse mesmo tempo insiste em acentuar. Por isso talvez é que a indústria da beleza e da cosmetologia seja sempre a que mais se desenvolve a nível mundial.

Quem quer na verdade ver partir um rosto de aparência juvenil? Quem em sã consciência deseja deixar de ser jovem, dinâmico e belo? Claro que ninguém. Porém é urgente que se devolva às jovens e às mulheres em geral o senso principal da feminilidade, a questão da liberdade feminina de optar-se por ser como se quiser ser. É necessário fazer com que uma jovem saiba que sua missão como mulher vai muito além do simples prazer que possa proporcionar com seu belo visual. É preciso fazê-la ver que sendo o verdadeiro foco do concorrido mercado da beleza, tornou-se submissa a ele pela própria característica que ele tem.

Ao vender sonhos de beleza eterna, a indústria da beleza vende a idéia de que para ser feliz é necessário ser bela para sempre, e só. Como se o saber e o fazer fossem componentes sem nenhum valor na personalidade de uma jovem.E embora o sábio mercado publicitário agregue à idéia da beleza o conceito da saúde e inteligência, fica implícita a mensagem de que para uma mulher Ter sucesso na vida ela tem que ser bela e eternamente jovem. 



Fica aqui a pergunta: para que servirão as lições aprendidas em tantas lutas sociais que tiveram como bandeira a emancipação feminina? Será que ficaram perdidas num pote de um caro creme rejuvenescedor? Será que acabaram dentro de um mero tubo de tinta que servem apenas para esconder os cabelos brancos tão reveladores da falta de juventude? Será que ficaram calcadas nas finas linhas do tempo que insistem em vincar uma pele antes jovem e macia? Diga você, mulher, jovem ou não, para que serviram afinal tantas batalhas travadas pelas nossas avós?

25 de julho de 2016

Desafios



“Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. 
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti. 
Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti. 
Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer. 
Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me encontrarás em nenhum livro! 
Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho? 
Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor. 
Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? 
Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso? 
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti. 
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia. 
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. 
Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas. 
Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. 
Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno. 
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei. 
E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste? 
Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar. 
Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Aborrece-me que me louvem. Me cansa que agradeçam. 
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. 
Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar. 
Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações? 
Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que estou, batendo em ti. 

Baruch Spinoza


9 de maio de 2016

Bastaria um abraço...



Procuro encontrar no meu íntimo a harmonia da vida, concentrar-me nas energias vibratórias, recordar que eu sou o poder no meu mundo. 

Centro-me na Luz que me ilumina e reforço a consciência de que sou uma partícula do Universo. 

Não vacilo nas minhas asas da liberdade e sucedem-se os voos com essência numa busca constante, por vezes dissimulada, por vezes imprudente, por vezes irresistivelmente fascinante quando, isolados, ficamos mais juntos e mais livres.

 Nas ausências, as minha asas perdem o vigor e o vazio escorre-me pelas mãos que deixo cair ao longo de um corpo que perde o brilho como se o Sol nunca o banhasse. 

Fico ali, prostrada, emocionada e trémula, sem riso, sem emoção, desajeitada e sem ritmo. 

Bastaria um abraço para que as minhas asas voltassem a bater em movimentos sinuosos e pousassem (docemente) na curva do teu braço.

Autora: Maria Elvira Bento


8 de maio de 2016

Apenas o saborear daquele momento...



Houve um silêncio feliz naquela tarde de asas soltas, de mãos juntas, unidas, formando uma concha morna onde se sentia o pulsar da circulação nas veias dos pulsos unidos, desafiando a força, o equilíbrio, sem lugar para palavras ou pensamentos.

Ali, não havia história, existia apenas a história sem história de duas pessoas de bem que viviam para dentro uma cumplicidade perfeita porque sincera, sem dramas, sem espaço para escutar pensamentos.
Cabeça vazia. Coração calmo. Apenas o saborear doce daquele momento de uma tarde cinzenta sem réstia de Sol brilhante que sempre fascina, envolve e protege.

 Não, ali, naquele silêncio feliz de uma tarde outonal, nada mais teria feito sentido do que um esboçar de um sorriso sedutor, gerador de emoções que anunciam saudade.

Autora: Maria Elvira Bento (Blog Brumas de Sintra)

24 de abril de 2016

Hoje, mando eu!



“Qualquer coisa que for capaz de fazer, ou que sonhe que é capaz, comece-a. A coragem traz consigo génio, poder e magia”. Se pensa assim, parabéns. Quem quer, quando quer, seja aquilo que for, já tem grande parte das possibilidades conquistadas porque a força de vontade desafia lógicas e correntes filosóficas; entra no campo dos mistérios, das ilusões, provoca hipóteses, desmistifica fantasias e não sucumbe facilmente (não é cereja no bolo…) perante as dificuldades.
Está mesmo disposta a vencer? Sente o fogo interior que a deixa desafiadora perante o medo (por vezes pânico) como se fosse uma corrente contínua que a dinamiza no cenário em que se move? Bom, a isso chama-se ânimo: ensina-a a enfrentar a apatia, a vencer a angústia, ajuda-a a disciplinar-se; torna-a competitiva, firme, determinada e impele-a a enfrentar o seu mundo que lhe mostra a longa avenida de obstáculos para serem ultrapassados.
A vida não dá nada gratuitamente, mas não deixa de responder quando se procura orientação. Pode não ser à nossa maneira mas, é seguramente, à maneira admirável das leis do Universo onde cada um de nós é célula vital. Por isso se sente (agora) que é capaz de concretizar o tal sonho, parabéns. Cumprimente-o (o sonho, claro). Ele está mesmo ao seu lado! Completamente realizado! Diga obrigada. Um coração agradecido, é um coração feliz!
Pois, hoje, estou assim: animada para tecer vida. Disposta a ousar. Segura para descodificar os sussurros inspiradores da madrugada -há muito que entre nós há uma química reconfortante e absoluta. Por isso, desafio. Espalho ideias envolvidas por palavras, gosto de gostar.
Hoje (gostava de dizer) mando eu! Hoje, estou para lá do instituído e inovo, num misto de utopia e provocação. Com leveza, vou transportar-me para o campo da excelência, levando comigo ânsias humanas, sem bases em estatísticas, mas sincronizadas com a esperança, com o futuro, visualizados na cadência contemplativa do sopro que me anima. Hoje, vou levar o meu banquinho e em cima dele, num jardim de Lisboa, falo para os que me queiram escutar.
- Que todas as crianças, em cada manhã ao sair de casa, digam: 

Bom dia, dia!
- Que os pais não sintam que os dias não têm horas para:
Brincar com os filhos
- Que os idosos não tenham só por companhia:
Programas de televisão
- Que os doentes não se sintam perdidos e abandonados pela
Família e pelos médicos
- Que os sem-abrigo se vistam de frio e desistam de
Viver
- Que os jardins não tenham
Bancos, flores, crianças e pássaros nas árvores
- Que nos lugares, nas vilas e nas aldeias não existam bandas
Que toquem aos domingos nos coretos
- Que não haja música de fundo
Nos hospitais, nos infantários, nos transportes e repartições públicas
- Que as grelhas de alguns canais ofereçam excessivas
Telenovelas
- Que nem todos os infantários e escolas primárias tenham nas manhãs e nas tardes
Um copo de leite morno e um sorriso para cada criança
- Que nas janelas e varandas não existam
Flores coloridas
- Que existam nas ruas
Animais abandonados
- Que não se ensine, ou se lembre, que o Mundo começa à porta da casa de cada um: na rua, no largo. Na vila, cidade ou aldeia
A limpeza é um sinal de civismo 
- Que o ser humano não tenha
Condições de dignidade para viver. Liberdade para escolher. Oportunidades para aprender e vencer
A coragem traz génio, poder e magia. Hoje, tive a coragem de mandar. Que o poder e a magia se abracem sobre o querer e a esperança se concretize 

Blog:Bruma de Sintra

20 de abril de 2016

Deixe que a fonte da felicidade flua de você.

Sente-se sob uma árvore, se esqueça do mundo e se entregue ao amor por si mesmo pela primeira vez.

A busca espiritual é de fato a busca do amor do seu próprio eu. O mundo é uma viagem para encontrar o amor dos outros, mas a espiritualidade é uma viagem para encontrar o amor por si próprio.

A espiritualidade é uma busca egoísta, uma tentativa de encontrar o significado do eu, do prazer consigo mesmo. Quando essa descoberta começa a acontecer, espere um pouco, procure um pouco - sinta sua singularidade e o prazer de sua própria existência. "O que eu poderia ter feito se não tivesse nascido? Como eu poderia ter me queixado e para quem, se não estivesse aqui?"

Você está nesta existência! Mesmo este fato, mesmo esta consciência, a percepção de que "eu sou", mesmo a possibilidade de chegar perto do êxtase - regozije-se um pouco com tudo isso. Permita que o sabor de tudo isso penetre em cada um de seus poros e que você seja arrastado pela emoção de tudo isso.

Se você tiver vontade, dance, ria ou cante. Lembre-se de que você deve continuar sendo o centro de tudo isso: deixe que a fonte da felicidade flua de você.

Osho, em "Uma Farmácia para a Alma"
Imagem por e³°°°